segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESPERANÇA

Eduardo seguia cego pela vingança empunhado a espada que faria a justiça. Voou tão rápido quanto o grifo conseguia, até parecia que havia nas asas do animal um vento diferente, como aqueles que Yasmin enviaria.
Meriatan observava aquele homem vindo em sua direção com um suicida decidido a acabar com a vida. O mago no alto de sua prepotência, subestimou o ataque de alguém que não tem nada a perder, subestimou a ira de um homem decidido a matar mesmo custando a sua vida.
O dragão abriu sua boca cuspindo uma imensa bola de fogo, o grifo seguiu o vôo para baixo, desviando-se do ataque, mas Eduardo segurava a espada de Jeliel com ambas às mãos. Fechou os olhos mais uma vez lembrando-se de sua amada, e saltou mergulhando em direção as chamas. Passou por entre as chamas e quando Meriatan o viu, Eduardo era um homem em chamas, assim como um meteoro, penetrando no peito de seu dragão.
Ao longe, todos observaram o grande dragão se retorcer no ar e de seu peito o fogo jorrava. Jazia naquele momento a maior ameaça que o esse mundo já havia conhecido.
Ao solo, chegou o grande dragão, fazendo a terra tremer e logo após, o corpo de Eduardo em chamas, já sem vida tocava o chão.
Tannis foi o primeiro a chegar até Eduardo, mas não tinha como apagar o fogo. Buscava desesperadamente ajuda quando Diana ainda correndo apontou e fez o fogo sumir. Nazari trazia Yasmim nos braços e em silencio a pôs ao lado de Eduardo.
Todos estavam em volta, calados, observando silenciosamente uma vitória onde o herói também é destruído, e em suas torres, os anjos olhavam e choravam tristes. "Será que para acabar um mal, uma história de amor deve ser sacrificada?"
Nesse momento, o anel que Diana deu a Eduardo brilhou. Talvez fosse o único objeto no corpo do mago que ainda tinha sua forma verdadeira. O brilho azulado ficou mais forte e envolvendo o corpo de ambos que estavam deitados lado a lado, como nunca se separam depois que se uniram. Yasmim tossiu e abriu os olhos lentamente. Ao verem aquilo, com espanto, alguns caíram de joelhos em terra enquanto outros sussurravam: "É um milagre!"
Yasmim não via mais ninguém além de Eduardo, caiu em seu peito chorando e o beijou, e foi nesse momento que os olhos de Eduardo se abriram, e ele a abraçou como se acordasse de um pesadelo e agora encontrava segurança nos braços de sua amada. Todos gritaram pelas planícies: "A vitória é nossa e o amor ainda está vivo!"
Eduardo e Yasmin foram saudados e o grande dragão esquartejado pelos guerreiros que queriam uma prova que estiveram naquela batalha.
Por todos os lugares só se via destruição, mas com a vitória, os povos encontravam motivação para reconstruir suas vidas, sentiam a esperança renascendo e podiam voltar a sonhar com um adorável mundo novo.
As nuvens finalmente estavam se dissipando, o sol nascia novamente, Eduardo abraçado a Yasmin sabia que até os céus abençoava a união dos dois, nada iria separá-los. E em algum lugar Jeliel sorria, um sorriso maroto de um garoto que fez o que não devia fazer, mas valeu a pena.

E Meritan? Bem, o corpo do demônio nunca fora encontrado.

sábado, 7 de agosto de 2010

Um fim Trágico

A guerra continuava ao redor, os dragões estavam mortos, mas ainda restava o pior deles. Alguns demônios continuavam a atacar, mas os guerreiros ainda eram muitos.
Diana então, se reunira com os líderes e desenvolveria o plano para a morte do dragão rei e daquele que o guiava. Porém, neste exato momento, quando todos estavam prontos para ouvi-la, o enorme dragão surgiu no alto, fazendo com que a escuridão se tornasse em negrume total.
- Espalhem-se! – alguém gritou – e os guerreiros corriam para todos os lados, se preparando para a nova investida do inimigo.
Neste corre-corre, Eduardo e Yasmin ficaram separados, e em meio ao tumultuado caos, eles não conseguiam se localizar. Sendo assim, Eduardo só tinha uma escolha, montou em seu grifo e armado de sua lança alçou vôo sem medo da morte, pois com plano ou sem plano, Meriatan e o dragão deveriam morrer.
Yasmin corria o mais rápido que podia para acompanhar o grande lobo, ainda sem saber o que fazer para ajudar, foi quando ela viu Eduardo indo ao encontro de Meriatan. Sabendo que seu amado estava rumando à morte, num gesto desesperado, lançou uma rajada de vento e o fez ser jogado para bem longe do grande dragão.
Meriatan ria diante do pânico dos homens lá embaixo, enquanto o dragão rei soprava seu fogo destruidor. A cada investida dos humanos, suas vidas eram ceifadas. Todos estavam perdidos e desesperados, eles queriam acabar com aquela loucura porem, quanto mais tentavam menos êxito obtinham.
Yasmin percebendo que não podia fazer muito em terra, montou em um grifo de um mago que jazia em chamas, ela levantou consigo muita terra e vento para que Meriatan não pudesse localizá-la rapidamente. Ao se aproximar a certa distância, o dragão pressentiu sua presença e bufou labaredas sobre ela. Yasmin revidou com as forças do vento fazendo com que o fogo fosse ao encontro deles, mas Meriatan esquivou-se, e quando ela armou um contra-ataque, foi atingida por uma magia de Meriatan. O velho gargalhou: "Mas que jovem mais corajosa temos aqui, contudo, imprudente. Sinto muito, minha cara, mas a sua vida acaba agora." – E com leve gesto de mão, sem ao menos tocá-la, torceu o pescoço de Yasmin e ela caiu de seu grifo, sem vida.
Tannis viu quando o corpo de Yasmin caía e correu ao seu encontro. Ao chegar ao local da queda, lá estava Yasmin, o corpo estirado, todo quebrado, mas seu rosto era angelical, com apenas um fio de sangue escorrendo de seus lábios. Ele urrou, e seu urro atingiu longa distância, sua amiga estava morta.
Em meio à batalha, Eduardo ouviu o urro de Tannis e sabia que algo estava completamente errado. Aquele não era um urro de dor ou de vitoria, era um urro angustiante, como um verdadeiro agouro. Então, ele correu ao encontro do lobo, mas avistou um homem esguio, seminu, carregando um corpo, e o corpo que o homem carregava nos braços tinha longos cabelos castanhos, Eduardo reconheceu e correu mais ainda.
Encontrou-se com Tannis já em lágrimas, e arrancou-lhe Yasmin dos braços. Eduardo a apertava juntou ao peito e dizia: "Acorde Yas, não brinque comigo! Acorde já!"
Tannis tentou confortá-lo, mas ele afastou-se ainda abraçado ao corpo de sua amada. "Não! Ela está viva... eu sei que está. Acorde meu amor!"
Todos que viam aquela cena se emocionavam, mesmo estando em uma guerra onde a morte os rodeava.
Eduardo chorava silenciosamente, beijava a boca de sua amada e continuava a pedir que ela acordasse, mas num repente, ele gritou, e seu gritou foi mais dolorido que o de Tannis. Ele colocou o corpo de Yasmin gentilmente no chão e totalmente alucinado saiu em disparada, montando novamente em seu grifo.
Tannis o alcançou antes de sair voando: "Amigo, não faça a morte de Yasmin ser em vão. Fique e vamos traçar estratégias de ataque, pois sem isso não conseguiremos vencê-los."
Eduardo retirou a mão de Tannis de seu ombro e alcançou as alturas, agora nada o deteria. Estava mais que decidido, agora nada fazia sentido para ele, somente a morte daquele que destruiu sua Yasmin. Foi quando ele ouviu Jeliel falar dentro de sua cabeça: "Sei que sua dor é indizível, meu amigo, mas se está realmente decidido acabar com isso, vou lhe dizer como."
"Eu só posso estar tendo alucinação. – pensou Eduardo olhando para os lados – Mas alucinação ou não, você tem toda a minha atenção." – ele disse determinado.
"O dragão rei só pode ser destruído, se uma lança ou espada transpassar-lhe o coração, e assim também Meriatan, o mago. – ele fez uma pausa e continuou – Eu posso ajudá-lo entregando-lhe a minha espada. Ela é uma espada de arcanjo, resistente e longa o suficiente para perfurar o couro do dragão e transpassar-lhe o coração, juntamente com o coração do mago. Mas isso requer a sua vida, meu amigo."
"A minha vida de nada importa nesse momento, Jeliel. Eu aceito a sua oferta."
E assim, sabendo que tanto a sua vitória quanto a sua morte estava garantida, Eduardo empunhou a espada angelical de Jeliel. “Breve estaremos juntos novamente, Yasmin.” – ele fechou os olhos e seguiu para seu destino.

Retirada

Jeliel, antes mesmo de Diana contar seus planos, começou a falar: "Amigos, nós anjos não poderemos mais ajudar. Devemos agora nos retirar da batalha, pois essa guerra é dos homens e não podemos interferir."
Nazari indignou-se: "Como assim, vão embora?! Nesse momento que mais precisamos de ajuda!? Olhe em sua volta, o mundo esta perto do fim..." Ele iria continuar, mas Diana o interrompeu:
"Nazari, Jeliel é o mais sábio de todos os anjos, ele sabe o que está fazendo. Se ele diz que seus guerreiros devem partir é porque existe um bom motivo."
O anjo falou novamente, e sua voz era de um tom melancólico: "Eu não gostaria de ir. Eu os amos assim como Ele vos amas, mas como Diana disse, Ele sabe o que faz, disse que essa luta não deveremos mais interferir."
Diana sorriu e disse: "Obrigado Jeliel! Quem sabe nos encontraremos em um momento mais tranqüilo e poderemos conversar sem hora para terminarmos ou hora de ir."
E então, um a um dos anjos levantaram vôo e rasgaram as nuvens negras, deixando passar alguns raios de sol tímidos, porém brilhantes. Todos olharam para aqueles raios, saudosistas, como se nunca houvera tanto brilho no céu.
Eduardo parecia preocupado com a saída dos anjos do campo de batalha, mas Diana sempre notava o que mudava ao seu redor:
"Não precisa se preocupar, Eduardo. Você é um ótimo guerreiro, tem poderes além de sua imaginação, nem você ainda os descobriu. Vou te dar este anel, ele vai te ajudar a acordar a perceber seus poderes ainda adormecidos. Agora você não irá contar apenas com suas armas. E lembre-se, somos humanos e a principal diferença entre um homem e um mago é que nos usamos 100% de nosso cérebro e não apenas 10% como todos os demais." Eduardo aceitou o presente de Diana e sorriu como se seu animo estivesse revigorado. Diana deu uma piscadela e virou-se para Yasmim:
"Cuide desse garoto, ele é muito especial. – sorriu novamente – Agora você, pequena Yasmim, você me surpreende a cada dia, seus poderes ficam maiores e você os domina com destreza e rapidez. Veio até aqui sendo útil a todos esse irmãos, e tenho certeza que você irá um dia ser, senão a maior, uma das maiores mestras de magia que esse mundo já teve, e todos irão lembrar-se de seu nome."
Diana estava inspirada, virou-se e procurou pelo velho amigo: "Quero também falar contigo, meu irmão Nazari. Há quanto tempo nos conhecemos? Eu mesma já me perdi nas contas. Eu te vi despertar, te vi melhorar a cada dia, te vi com raiva, te vi feliz, mas nunca te vi assim como hoje, Nazari. Você parece tão perdido, desacreditando que a batalha possa ser vencida; esse não é você. Meu amigo, tu és maior que isso, tu és o conselheiro mais inteligente de todos, és hoje o melhor guerreiro e todos esses irmãos precisam da sua liderança neste momento, não se perca no caminho." - ela pôs a mão no ombro de Narari e olhou para dentro de sua alma. Neste instante, o velho mago, sentiu uma energia correr por todo seu corpo e sentiu como se nenhuma batalha ainda tivesse começado, teve suas forças renovadas.
Após seu discurso de bom ânimo, Diana levantou suas mãos e chamou a todos para perto de si, iria contar o grande plano que ela tinha para terminar de vez com aquela batalha.