sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Visita inesperada

Ana abriu seu caixão e ficou ali deitada, sorrindo e olhando para o teto pensativa, degustando o poder e a força que corriam pelo seu corpo. Pensava em como a noite fora boa, em como era bom estar bem alimentada e se divertir um pouco com a comida. Foi retirada de seus pensamentos pelo som de passos fortes, James havia se levantado e assim, ela decidiu ir em busca dos ruídos.
Encontrou James sentando, batendo os dedos na mesa e falando sozinho: “Onde ele poderia ter escondido isso?" – Ela ficou intrigada: “Escondido o que?” - Ele estava tão concentrado que não havia sentido a presença dela. Olhou-a com desprezo e entrou em sua mente sussurrando: "Não é da sua conta!" - Ana não acreditava nas mudanças repentinas de humor que ele tinha, hora tão calmo e hora tão maquiavélico com relação a ela. "Desculpe-me, achei que poderia ajudar em sua busca." – ela falou com sinceridade. Em um piscar de olhos, James estava em sua frente e a agarrou pelo pescoço, prendendo-a contra a parede, levantando-a do chão: "Eu já lhe disse que não é da sua conta! Se um dia você merecer, te contarei, mas por enquanto, não é da sua conta e se eu precisar da sua ajuda, eu pedirei.” - Ele a soltou, Ana caiu no chão com a mão no pescoço, pensando em como ele era tão forte, como conseguia dominá-la daquela forma, e ficava irritada em saber que o criador era mais forte. Em sua cabeça, ela pensava que deveria ser mais forte afinal, as futuras gerações tinham que superar as passadas, mas ela era ainda muito fraca, pois James controlava a alimentação. deixando que ela se alimentasse apenas do mínimo.
Neste momento, ouviram batidas na porta da frente do castelo. Quem poderia ser a essas horas da noite? Sendo que geralmente, eles não recebiam muitas visitas...

A face do vampiro

Já passava da meia noite e a névoa subia alta e densa, um homem caminha calmamente de volta à sua casa, deveria estar voltando da casa de uma amante ou quem sabe, de alguma festa, mas uma coisa é certa, ele estava feliz, assobiando alegremente, quando avistou aquela linda silueta feminina. Percebia-se o desenho perfeito do corpo de mulher, ele achou que era seu dia de sorte, quando ouviu em sua mente: “Venha, meu amor, quero você!” - ela se virou e deixou o cabelo girar remexendo o nevoeiro. O homem sentia como que uma ordem ecoasse em sua mente: “Venha, me siga, querido. Venha, você não me quer?” - Ele estava enfeitiçado, não pensava em mais nada apenas no desejo de tê-la e a seguiu.
Eles entraram em um beco escuro, ela parou fazendo um gesto para que ele se aproximasse e ele sem hesitar foi em sua direção, pode então olhá-la com nitidez e ficou boquiaberto com a beleza que via; uma linda jovem de cabelos compridos e negros como uma noite sem luar, de pele branca e macia, de olhos misteriosos e charmosos, sua boca tinha um desenho perfeito, a boca mais bela, de um delicioso vermelho e assim, admirando essas qualidades o homem foi para beijá-la. Mas Ana não queria o beijo, ela queria o pescoço do homem e lentamente ela se aproximou como se aceitasse o beijo, porém esquivou-se indo em direção ao pescoço. Ouviu-se um grito, como que alguém acordasse de um pesadelo e depois disso o silêncio voltou a reinar.
O homem estava desacordado quando James rompeu o nevoeiro e, ao vê-lo, Ana soltou o homem e rastejou para um canto do beco, feito um animal amedrontado. James pegou o homem e o sugou olhando para Ana, que sentia, ao mesmo tempo, medo e vontade de tomar-lhe o corpo de suas mãos. Ele continuou a sugar até quase não restar nada, mas deixou algumas gotas para Ana, empurrando o corpo para ela que o aceitou com prazer. James virou-se: "Termine de raspar o que restou e dê um jeito no corpo. Está havendo uma linda festa e eu estou sedento de uma dança!"
Ao chegar ao local da festa, James já chamava a atenção no hall, as mulheres não puderam deixar de notar aquele homem tão lindo, até mesmo os homens o invejavam e especulavam de onde surgira tal pessoa. James podia ouvir os sussurros, os comentários: “Que belo homem... que porte... como é lindo... tão vem vestido.” - Ele se deliciava com isso enquanto escolhia a sua vítima.
James era um homem que aparentava uma grande experiência de vida, mas era belo e forte com um jovem, seus olhos azuis brilhavam intensamente principalmente quando avistou um pequeno grupo de jovens garotas que sorriam num papo agradável e extrovertido e mesmo assim, não tiravam os olhos dele. James rodou pela festa sem tirar sua atenção das garotas até que uma delas veio até ele: "O senhor não gostaria de dançar?" - James sorriu e aceitou sem falar uma única palavra até começarem a dança. "Dizem que jamais se pode negar um convite de uma dama, mas se me chamar de senhor mais uma vez eu serei obrigado a recusar. Pode me chamar de James.” – A moça sorriu, mas foi pelo fato de ter sido chamada de dama, pois há muito tempo ninguém a chamava assim devido a vida que levava, a dama já havia deixado lugar para meretriz há anos.
E assim entre danças e conversas, no pé do ouvido James cativou o grupo, eram quatro garotas que ele acabou enfeitiçando e levando para o seu abrigo, onde iria brincar e sugar-lhes a vida, uma a uma.
Ana já havia feito a tarefa imposta por seu mestre e observava como era fácil para ele. Sentia raiva de como as mulheres eram bobas e caíam tão facilmente aos encantos dele. James vinha de braços dados as duas delas enquanto as outras duas o seguiam, e foi assim que Ana os encontrou; ela sorriu gentilmente e todos foram devidamente apresentados. Agora o grupo rumava para o castelo em busca de mais diversão, cada um ao seu modo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fome

Quando a noite chegou, Ana foi acordada com a queimação no seu estomago novamente, ela sabia que era a fome. Então abriu a porta de seu quarto tão devagar que ouvidos humanos não ouviriam o ranger da porta, mas ouvidos de um vampiro sim. Ela olhou para um lado e para o outro, não havia sinal de James. “Será que ele saiu ou está escondido em algum lugar desse castelo?” – ela pensou consigo. Percebeu que seu andar era mais macio que de um felino, ela era uma criatura da noite, seus olhos não precisavam de luz alguma, conseguia enxerga em plena escuridão, mas aquela vida nova ainda a assustava, afinal, ela era um monstro agora e seu criador era o seu pior pesadelo. Ela caminhava segurando seu estomago que ardia de forma que parecia incendiar seu corpo inteiro. “Eu preciso comer!”
O castelo era imenso, havia portas para todos os lugares, corredores e escadas... “Onde será que aquele maldito esconde a comida?” – os pensamentos de Ana haviam mudado durante seu sono, não pensava mais em humanos ou uma vida que se ia, agora ela estava no topo da cadeia alimentar e os demais não passavam de apenas alimento. Foi então que se lembrou que seus sentidos deveriam ter mudado também, eles deveriam ser mais aguçados e assim, tentou controlar a dor em seu estomago e ouvir alguma coisa que lhe indicasse onde encontrar sangue. Foi então que ouviu um coração batendo, bem longe, e ela seguiu aquele som, pois no final, encontraria sua comida. “Não ficarei esperando que aquele bastardo me alimente, afinal, sou uma vampira agora, sou forte também.”
O som daquele coração a levou em frente a uma porta, parecia ser a porta de um calabouço, sua fome gritava dentro dela. Quando estava levando a mão à maçaneta, seu pulso foi agarrado por fortes mãos frias como granito. Era James, seu olhar revelava um ódio profundo e sua face de vampiro era bizarra.
“Quando você entenderá que és minha escrava e só comerá quando eu permitir?” – a voz dele era cortante. Ana gaguejou: “Eu estou com fome, mestre. Não suporto a dor.” – ela estava sendo sincera. “Você me obedecerá por bem ou por mal, pois posso deixá-la com fome até sua dor a consumir, o que acha?” Ana tentava se soltar daquela mão, mas viu que era totalmente inútil: “Sim mestre, eu o obedecerei.”
Ele a arrastou até um salão enorme onde a abandonou numa cadeira: “Espere aí, bem quietinha. Seja uma boa vampira.” – Saiu e quando voltou estava com uma ratazana na mão: “Como hoje você me desobedeceu, sua alimentação por hora será esse animal. E não adianta me olhar com esses olhos, pois você terá o que merece, aliás, nem isso você merecia, mas para não dizer que sou cruel.” – jogou o animal no colo de Ana que o agarrou antes que fugisse. Ela estava com nojo, mas sua dor era imensa, cravou seus dentes naquele corpo asqueroso e o sangue tinha um gosto ruim, mas poderia aplacar sua dor por aquele momento.
James sentou-se em outra cadeira, observando a alimentação de Ana. Ele nunca se julgará cruel, mas esse poder correndo por seu corpo dava-lhe a sensação de que poderia fazer o que quisesse com quem quisesse. Na verdade, Ana o atraía, ele desejava a possuir, ela tinha um corpo perfeito, tão jovem e lindo, quanto tempo ele não possuía alguém assim? Mas Ana deveria ceder a ele, como uma boa escrava, ele pretendia domá-la, e se ela se comportasse, ele poderia fazê-la rainha do seu reino da noite, mas por enquanto não compartilharia com ela a história do medalhão, porque enquanto Ana se aventurava pelos corredores do castelo em busca de "comida", ele procurava pelo medalhão de seu antigo mestre porém, sem sucesso, e ele só revelaria a ela esse segredo quando ela o merecesse.
Quando Ana terminou com a última gota de sangue da ratazana, ela o olhava com muita raiva e desprezo. James se levantou e Ana se encolheu na cadeira. “Limpe-se e vamos caçar.” – ele ordenou.

O despertar

A garota acordou assustada: " O que fizeram comigo?! Quem é você?"
James pode ver nos olhos da garota o desespero e o medo: "Calma! Meu nome é James e foi meu antigo mestre quem lhe trouxe para cá e lhe tirou a vida, eu sou aquele que devolveu a sua vida, ou melhor, uma nova vida, pois agora, ambos somos vampiros. Precisei alimentar-lhe com meu sangue para a transformação ser completa.”
A garota parecia não entender o que estava acontecendo ainda, e James se sentia perdido, não sabia como lidar com aquela situação, não sabia o que fazer, foi então que resolveu fazer exatamente a mesma coisa que seu mestre lhe havia feito. Pegou a mão da moça e olhou em seus olhos revelando sua verdadeira face de vampiro. A garota deu um salto para trás, assustada, e como reflexo também deixou escapar a sua verdadeira face. James se aproximou e a segurou pelos ombros: "Agora sou seu mestre, sou seu dono! E você fará tudo o que eu desejar, na hora que eu quiser e em troca, irei lhe ensinar os segredos dessa nova vida, e quem sabe um dia eu lhe conceda a liberdade, porque agora você é a minha escrava, entendeu?”
Ela balançava a cabeça, totalmente hipnotizada: “Sim, sou Ana, sua serva. Farei o que o senhor desejar." - Ela não entendia como aquelas palavras eram tão forte, pareciam entrar em sua mente com um poder estranho e a dominava totalmente. James parecia satisfeito: "Bem, você me parece faminta." – Então ele se retirou e após alguns minutos entrou no quarto arrastando um homem desacordado. James observava cada reação de Ana, ela o olhava com um olhar insano, e então, ele puxou o homem de forma que a cabeça pendia de um lado, deixando à mostra o pescoço, ele a olhou novamente e estava se divertindo com tudo aquilo, e então cravou suas presas naquele pescoço e propositalmente deixou que o sangue escorresse. Ao ver aquilo, Ana sentiu sua boca queimar, o estomago parecia em chamas, era sua fome, uma vontade imensa de devorar, de comer, engolir... seus olhos vidrados no sangue que escorria. James largou o corpo e fez sinal para Ana, ela entendeu perfeitamente e partiu vorazmente para o pescoço do desconhecido, sugando com volúpia e cada chupada sentia-se revigorada, sentia-se forte, mas depois, ainda de joelhos, limpado a boca sentia certo remorso, era uma vida que acabará de devorar.
"A partir de agora você irá se alimentar de sangue. Nossas caças não deverão chamar a atenção de ninguém afinal, não queremos ser perseguidos por ninguém não é mesmo? – ela balançava a cabeça - Então você deve aprender a controlar sua fome e só irá se alimentar quando eu deixar, na hora que eu quiser e somente de quem eu deixar, entendeu?” – James olhou para o horizonte: “Enfim, o dia já esta chegando, e aí vai mais uma regra, não ande por aí durante o dia, o sol é o nosso único inimigo, ele pode nos destruir.” – Ele a conduziu até um lugar onde ela deveria dormir e lhe explicou que ali seria seu refugio durante o dia.
Ao deixar Ana em seu aposento, James ficou relembrando das historias de seu antigo mestre, e apenas uma lhe martelava mais a cabeça: um medalhão criado por um mago que permitia aos vampiros andar por entre as pessoas durante o dia sem que o sol lhe causasse dano algum. “Com certeza meu mestre possuía um medalhão desse, só preciso encontrar onde ele o escondia, e então, não serei apenas o Príncipe da noite mas o mundo irá me temer, pois o que eu desejar, eu terei. – olhou o horizonte de novo, já estava clareando – Bem, a busca ficará para quando o crepúsculo chegar.” E assim, retirou-se para seu esconderijo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Apresentando - James Morris

James Morris se tornou rei da Inglaterra prematuramente aos quatorze anos, após seu pai ter sido deposto pela própria esposa. Teve como regentes a sua mãe e seu tutor, responsáveis pela precoce coroação. Se casou e teve uma ampla descendência.
James tinha uma personalidade forte, revelada logo que atingiu a maioridade. Ao completar 18 anos, tomou o controle do país e ordenou a execução de seu padrasto e exilou sua mãe, acusando-os do assassinato de seu pai, três anos antes.
James tomou a Escocia, mas sofria ataques pois a realeza havia conseguido escapar dos ataque ingleses. Logo após a vitória sobre a Escocia, James voltou-se para outro confito importante da idade média a famosa Batalha dos Cem Anos. Assim James vivia entre a Batalha dos Cem Anos e os ataques da resistência escosesa.
James e seu filho primogenito se respeitavam mutuamente, porém não tinham uma relação muito harmoniosa nem partilhavam a mesma visão. O casamento do filho com a filha do rei da Escocia, e tambem seu pior inimigo, foi motivo de grande ressentimento entre eles. No entanto, quando ele morreu, James chorou a sua morte e se tornou melancólico.
Foi assim, que sua prole imensa deu inicio a Guerra das Rosas, onde diversos ramos de sua decedencia disputavam a coroa. Porém, o rei desapareceu misteriosamente e muitos dizam que por estar melancólido e desgostoso com a guerra que havia começado dentro sua propria familia, havia abandonado tudo. Já outros diziam que seu neto o assassinou em busca do poder. O que eles realmente não sabiam é que James Morris havia encontrado um vampiro que, comovido com sua dor, lhe ofereceu uma nova vida. Contudo, não se pode confiar em um vampiro. Na verdade esse vampiro só o queria como escravo, um grande rei humano alimentava seu ego, e então, durante anos, James Morris, o rei da Inglaterra, foi escravo de um poderoso vampiro.
Os anos se passavam e James se sentia revoltado de como era trado por seu mestre. Um dia, observando seu mestre brincar com umas de suas presas, viu que a garota enquanto tinha sua vida sugada cravava as unhas nas costas do vampiro, arracando-lhe sangue.
James num reflexo, pulou nas costas de seu mestre afim de sugar-lhe o sangue vampiresco. Mas o vampiro era muito mais experiente e assim, o jogou para longe. James caiu sobre uma escrivaninha que se quebrou em pedaços, ele estava agora tremendo jogado ao chão.
"O que pensa, o que queres com isso Morris? Você é o meu escravo e não é sua hora, ainda não podes ser um vampiro. Com essa atitude não iras ser." - o mestre vampiro disse aproximando-se de James para acabar-lhe com a vida.
O vampiro acreditava que James não havia conseguido uma só gota de seu sangue, mas estava enganado. Ainda em trasformação, James pegou a perna da escrivaninha que havia se quebrado e sentindo a força de um vampiro passar pelo seu corpo, cravou-a no coração do vampiro.
O grande mestre não acreditava, morto pelo escravo. James se aproximou e ollhando bem nos olhos do vampiro, disse: "Eu não sou mais seu escravo. Eu, James Morris, ex-rei da Inglaterra por opção, hoje vampiro, eu sou Prince of Night." E assim, empurrou seu antigo mestre contra o vitral do castelo no momento que já estava virando poeira no ar.
James olhou para a garota que ao poucos morria, quase sem sangue dava os ultimos suspiros. Ele não tinha reparado como era bela e jovem e novamente, agindo no impulso, cortou seu pulso e deu a ela de beber de seu sangue.
James observou quando os batimentos da moça cessaram e então, ela adormeceu. Enquanto isso, ele sentia-se melhor do que esteve em toda sua vida. James fora mordido pelo vampiro com a idade de 58 anos, não era mais jovem, mas ainda era um homem forte, de batalhas. Porem, podia sentir que aquele sangue maldito trazia coisas novas para seu corpo... observou que suas mãos não eram mais enrugadas, seus braços e pernas eram resistentes novamente, ele rejuvenescia. Ele sorriu para si mesmo: "Acho que vou gostar muito dessa nova vida, ou morte."

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESPERANÇA

Eduardo seguia cego pela vingança empunhado a espada que faria a justiça. Voou tão rápido quanto o grifo conseguia, até parecia que havia nas asas do animal um vento diferente, como aqueles que Yasmin enviaria.
Meriatan observava aquele homem vindo em sua direção com um suicida decidido a acabar com a vida. O mago no alto de sua prepotência, subestimou o ataque de alguém que não tem nada a perder, subestimou a ira de um homem decidido a matar mesmo custando a sua vida.
O dragão abriu sua boca cuspindo uma imensa bola de fogo, o grifo seguiu o vôo para baixo, desviando-se do ataque, mas Eduardo segurava a espada de Jeliel com ambas às mãos. Fechou os olhos mais uma vez lembrando-se de sua amada, e saltou mergulhando em direção as chamas. Passou por entre as chamas e quando Meriatan o viu, Eduardo era um homem em chamas, assim como um meteoro, penetrando no peito de seu dragão.
Ao longe, todos observaram o grande dragão se retorcer no ar e de seu peito o fogo jorrava. Jazia naquele momento a maior ameaça que o esse mundo já havia conhecido.
Ao solo, chegou o grande dragão, fazendo a terra tremer e logo após, o corpo de Eduardo em chamas, já sem vida tocava o chão.
Tannis foi o primeiro a chegar até Eduardo, mas não tinha como apagar o fogo. Buscava desesperadamente ajuda quando Diana ainda correndo apontou e fez o fogo sumir. Nazari trazia Yasmim nos braços e em silencio a pôs ao lado de Eduardo.
Todos estavam em volta, calados, observando silenciosamente uma vitória onde o herói também é destruído, e em suas torres, os anjos olhavam e choravam tristes. "Será que para acabar um mal, uma história de amor deve ser sacrificada?"
Nesse momento, o anel que Diana deu a Eduardo brilhou. Talvez fosse o único objeto no corpo do mago que ainda tinha sua forma verdadeira. O brilho azulado ficou mais forte e envolvendo o corpo de ambos que estavam deitados lado a lado, como nunca se separam depois que se uniram. Yasmim tossiu e abriu os olhos lentamente. Ao verem aquilo, com espanto, alguns caíram de joelhos em terra enquanto outros sussurravam: "É um milagre!"
Yasmim não via mais ninguém além de Eduardo, caiu em seu peito chorando e o beijou, e foi nesse momento que os olhos de Eduardo se abriram, e ele a abraçou como se acordasse de um pesadelo e agora encontrava segurança nos braços de sua amada. Todos gritaram pelas planícies: "A vitória é nossa e o amor ainda está vivo!"
Eduardo e Yasmin foram saudados e o grande dragão esquartejado pelos guerreiros que queriam uma prova que estiveram naquela batalha.
Por todos os lugares só se via destruição, mas com a vitória, os povos encontravam motivação para reconstruir suas vidas, sentiam a esperança renascendo e podiam voltar a sonhar com um adorável mundo novo.
As nuvens finalmente estavam se dissipando, o sol nascia novamente, Eduardo abraçado a Yasmin sabia que até os céus abençoava a união dos dois, nada iria separá-los. E em algum lugar Jeliel sorria, um sorriso maroto de um garoto que fez o que não devia fazer, mas valeu a pena.

E Meritan? Bem, o corpo do demônio nunca fora encontrado.

sábado, 7 de agosto de 2010

Um fim Trágico

A guerra continuava ao redor, os dragões estavam mortos, mas ainda restava o pior deles. Alguns demônios continuavam a atacar, mas os guerreiros ainda eram muitos.
Diana então, se reunira com os líderes e desenvolveria o plano para a morte do dragão rei e daquele que o guiava. Porém, neste exato momento, quando todos estavam prontos para ouvi-la, o enorme dragão surgiu no alto, fazendo com que a escuridão se tornasse em negrume total.
- Espalhem-se! – alguém gritou – e os guerreiros corriam para todos os lados, se preparando para a nova investida do inimigo.
Neste corre-corre, Eduardo e Yasmin ficaram separados, e em meio ao tumultuado caos, eles não conseguiam se localizar. Sendo assim, Eduardo só tinha uma escolha, montou em seu grifo e armado de sua lança alçou vôo sem medo da morte, pois com plano ou sem plano, Meriatan e o dragão deveriam morrer.
Yasmin corria o mais rápido que podia para acompanhar o grande lobo, ainda sem saber o que fazer para ajudar, foi quando ela viu Eduardo indo ao encontro de Meriatan. Sabendo que seu amado estava rumando à morte, num gesto desesperado, lançou uma rajada de vento e o fez ser jogado para bem longe do grande dragão.
Meriatan ria diante do pânico dos homens lá embaixo, enquanto o dragão rei soprava seu fogo destruidor. A cada investida dos humanos, suas vidas eram ceifadas. Todos estavam perdidos e desesperados, eles queriam acabar com aquela loucura porem, quanto mais tentavam menos êxito obtinham.
Yasmin percebendo que não podia fazer muito em terra, montou em um grifo de um mago que jazia em chamas, ela levantou consigo muita terra e vento para que Meriatan não pudesse localizá-la rapidamente. Ao se aproximar a certa distância, o dragão pressentiu sua presença e bufou labaredas sobre ela. Yasmin revidou com as forças do vento fazendo com que o fogo fosse ao encontro deles, mas Meriatan esquivou-se, e quando ela armou um contra-ataque, foi atingida por uma magia de Meriatan. O velho gargalhou: "Mas que jovem mais corajosa temos aqui, contudo, imprudente. Sinto muito, minha cara, mas a sua vida acaba agora." – E com leve gesto de mão, sem ao menos tocá-la, torceu o pescoço de Yasmin e ela caiu de seu grifo, sem vida.
Tannis viu quando o corpo de Yasmin caía e correu ao seu encontro. Ao chegar ao local da queda, lá estava Yasmin, o corpo estirado, todo quebrado, mas seu rosto era angelical, com apenas um fio de sangue escorrendo de seus lábios. Ele urrou, e seu urro atingiu longa distância, sua amiga estava morta.
Em meio à batalha, Eduardo ouviu o urro de Tannis e sabia que algo estava completamente errado. Aquele não era um urro de dor ou de vitoria, era um urro angustiante, como um verdadeiro agouro. Então, ele correu ao encontro do lobo, mas avistou um homem esguio, seminu, carregando um corpo, e o corpo que o homem carregava nos braços tinha longos cabelos castanhos, Eduardo reconheceu e correu mais ainda.
Encontrou-se com Tannis já em lágrimas, e arrancou-lhe Yasmin dos braços. Eduardo a apertava juntou ao peito e dizia: "Acorde Yas, não brinque comigo! Acorde já!"
Tannis tentou confortá-lo, mas ele afastou-se ainda abraçado ao corpo de sua amada. "Não! Ela está viva... eu sei que está. Acorde meu amor!"
Todos que viam aquela cena se emocionavam, mesmo estando em uma guerra onde a morte os rodeava.
Eduardo chorava silenciosamente, beijava a boca de sua amada e continuava a pedir que ela acordasse, mas num repente, ele gritou, e seu gritou foi mais dolorido que o de Tannis. Ele colocou o corpo de Yasmin gentilmente no chão e totalmente alucinado saiu em disparada, montando novamente em seu grifo.
Tannis o alcançou antes de sair voando: "Amigo, não faça a morte de Yasmin ser em vão. Fique e vamos traçar estratégias de ataque, pois sem isso não conseguiremos vencê-los."
Eduardo retirou a mão de Tannis de seu ombro e alcançou as alturas, agora nada o deteria. Estava mais que decidido, agora nada fazia sentido para ele, somente a morte daquele que destruiu sua Yasmin. Foi quando ele ouviu Jeliel falar dentro de sua cabeça: "Sei que sua dor é indizível, meu amigo, mas se está realmente decidido acabar com isso, vou lhe dizer como."
"Eu só posso estar tendo alucinação. – pensou Eduardo olhando para os lados – Mas alucinação ou não, você tem toda a minha atenção." – ele disse determinado.
"O dragão rei só pode ser destruído, se uma lança ou espada transpassar-lhe o coração, e assim também Meriatan, o mago. – ele fez uma pausa e continuou – Eu posso ajudá-lo entregando-lhe a minha espada. Ela é uma espada de arcanjo, resistente e longa o suficiente para perfurar o couro do dragão e transpassar-lhe o coração, juntamente com o coração do mago. Mas isso requer a sua vida, meu amigo."
"A minha vida de nada importa nesse momento, Jeliel. Eu aceito a sua oferta."
E assim, sabendo que tanto a sua vitória quanto a sua morte estava garantida, Eduardo empunhou a espada angelical de Jeliel. “Breve estaremos juntos novamente, Yasmin.” – ele fechou os olhos e seguiu para seu destino.

Retirada

Jeliel, antes mesmo de Diana contar seus planos, começou a falar: "Amigos, nós anjos não poderemos mais ajudar. Devemos agora nos retirar da batalha, pois essa guerra é dos homens e não podemos interferir."
Nazari indignou-se: "Como assim, vão embora?! Nesse momento que mais precisamos de ajuda!? Olhe em sua volta, o mundo esta perto do fim..." Ele iria continuar, mas Diana o interrompeu:
"Nazari, Jeliel é o mais sábio de todos os anjos, ele sabe o que está fazendo. Se ele diz que seus guerreiros devem partir é porque existe um bom motivo."
O anjo falou novamente, e sua voz era de um tom melancólico: "Eu não gostaria de ir. Eu os amos assim como Ele vos amas, mas como Diana disse, Ele sabe o que faz, disse que essa luta não deveremos mais interferir."
Diana sorriu e disse: "Obrigado Jeliel! Quem sabe nos encontraremos em um momento mais tranqüilo e poderemos conversar sem hora para terminarmos ou hora de ir."
E então, um a um dos anjos levantaram vôo e rasgaram as nuvens negras, deixando passar alguns raios de sol tímidos, porém brilhantes. Todos olharam para aqueles raios, saudosistas, como se nunca houvera tanto brilho no céu.
Eduardo parecia preocupado com a saída dos anjos do campo de batalha, mas Diana sempre notava o que mudava ao seu redor:
"Não precisa se preocupar, Eduardo. Você é um ótimo guerreiro, tem poderes além de sua imaginação, nem você ainda os descobriu. Vou te dar este anel, ele vai te ajudar a acordar a perceber seus poderes ainda adormecidos. Agora você não irá contar apenas com suas armas. E lembre-se, somos humanos e a principal diferença entre um homem e um mago é que nos usamos 100% de nosso cérebro e não apenas 10% como todos os demais." Eduardo aceitou o presente de Diana e sorriu como se seu animo estivesse revigorado. Diana deu uma piscadela e virou-se para Yasmim:
"Cuide desse garoto, ele é muito especial. – sorriu novamente – Agora você, pequena Yasmim, você me surpreende a cada dia, seus poderes ficam maiores e você os domina com destreza e rapidez. Veio até aqui sendo útil a todos esse irmãos, e tenho certeza que você irá um dia ser, senão a maior, uma das maiores mestras de magia que esse mundo já teve, e todos irão lembrar-se de seu nome."
Diana estava inspirada, virou-se e procurou pelo velho amigo: "Quero também falar contigo, meu irmão Nazari. Há quanto tempo nos conhecemos? Eu mesma já me perdi nas contas. Eu te vi despertar, te vi melhorar a cada dia, te vi com raiva, te vi feliz, mas nunca te vi assim como hoje, Nazari. Você parece tão perdido, desacreditando que a batalha possa ser vencida; esse não é você. Meu amigo, tu és maior que isso, tu és o conselheiro mais inteligente de todos, és hoje o melhor guerreiro e todos esses irmãos precisam da sua liderança neste momento, não se perca no caminho." - ela pôs a mão no ombro de Narari e olhou para dentro de sua alma. Neste instante, o velho mago, sentiu uma energia correr por todo seu corpo e sentiu como se nenhuma batalha ainda tivesse começado, teve suas forças renovadas.
Após seu discurso de bom ânimo, Diana levantou suas mãos e chamou a todos para perto de si, iria contar o grande plano que ela tinha para terminar de vez com aquela batalha.

sábado, 31 de julho de 2010

O rei dos Dragões

Sob a luz da lua cheia a montanha estremeceu e o vulcão cuspiu fogo. Enquanto Meriatan gargalhava sentindo o gosto da vitória, lá fora, eles corriam para se esconder das pedras que rolavam montanha abaixo e do fogo que escorria por ela. Então se ouviu o urro de uma fera e dentro do vulcão surgiu o maior de todos os dragões já visto.
Dentro da caverna, os guerreiros sentiam-se derrotados, Meriatan sorria, saboreava a vitória, e então, Eduardo jurou: "Pode ter conseguido trazer o rei dos dragões de volta à vida, mas você não irá sair daqui vivo!"
Novamente Meriatan gargalhou e uma fumaça verde tomou conta do lugar. Eduardo pode ouvir um sussurro em seu ouvido: "Eu já saí, seu tolo."
E assim, a montanha começou a desabar. Eduardo, Yasmin e Tannis correram para fora, corriam para manter suas vidas. As pedras caíam por todos os lados, a montanha estava desmoronando e eles só não morreram porque Yasmim por várias vezes retirou, com seu poder, as pedras que iriam esmagá-los.
Ao saírem, estavam exaustos e a visão que tiveram do que acontecia lá fora não era nada animadora. Meriatan estava sentado na cabeça do dragão, como se o guiasse, como se ordenasse ao dragão destruir determinado alvo e agora, o alvo eram os três que o desafiaram dentro da caverna. Contra eles vinha uma imensa rajada de fogo.
"Jeliel?!" – Eduardo exclamou, não acreditando no que via.
"Temos que parar de nos encontrar assim. - o anjo sorriu - Já está na hora de você começar a se salvar sozinho, Eduardo. E por que esse espanto? Acha que é fácil destruir uma alma? E mais, o dia da criação superar o criador ainda não chegou!"
Os anjos haviam salvado os três do fogo e da morte certa porém, não podiam salvar o resto do mundo. Meriatan e o dragão iam destruindo tudo por onde passavam, parecia que faziam isso simplesmente pelo prazer de destruir.
Enfim, eles pousaram próximo a Nazari que observava mudo a tudo aquilo. Eduardo correu até Yasmin e a abraçou, ambos ficaram observando as terras queimando. Nazari perguntou a Jeliel: "Por que Ele permite isso?" O anjo o olhou e sua voz era quase um sussurro: "Nazari, isso é obra dos outros."
Neste momento, ouviu-se os passos de um exército se aproximando, era Diana que trazia mais aliados. Eram numerosos soldados que a acompanhavam. Ela desceu de seu cavalo e foi até seus amigos que há muito não os via.
"Saudações, valentes guerreiros! Contem-me o que aconteceu aqui." - ela pediu.
Então contaram à ela o que havia acontecido, e então, Diana retirou de seu bolso um pequeno livro.
"Amigo, neste livro tem a história dos magos e como os magos fazem parte da história do mundo. Agora vou contar-lhes como tudo isso começou..."
Eduardo olhou para o pequeno livro e pensou alto: "A história dos magos contida nesse pequeno livro?! Isso não pode ser possível."
Diana começou a desdobrar o livro, e o desdobrou nove vezes, revelando um grande livro que colocou nas mãos de Eduardo. Este mal conseguiu segura-lo e seus joelhos dobraram-se segurando aquele pesado livro, principalmente porque esperava um livro leve.
"É a versão de bolso." - ela deu uma piscadela. Diana abriu o livro e dele saíam figuras, personagens que saltavam das páginas e brilhavam. Então começou a contar a história: "Há muito tempo atrás, os dragões viviam em paz com a humanidade, dividindo as terras com os homens. Nós, os magos, também tinham os dragões como amigos. Mas o homem descobriu que ao se banhar com o sangue de um dragão tornava-se invencível, possuindo um corpo inviolável e foi assim que a caçada aos dragões começou. Aos poucos, um a um iam sendo exterminados e, cada vez mais homens invencíveis apareciam. Foi então que um poderoso mago aprisionou esses homens e os selou em um só corpo, dando origem a este dragão. Enfim, o rei dos dragões, como fora intitulado, trouxe dentro de si todo o mal que existia dentro de cada homem, porém aquele poderoso mago não conseguiu controlar a raiva do dragão e assim, o trancou com uma magia muito poderosa. Somente uma mente maligna como de Meriatan, que cumpre os desígnios do dragão pode-se manter ligado a ele. Então meus amigos, no final é o dragão que controla Meriatan e não o contrário. E neste livro descreve uma forma de parar o rei dos dragões. Venham, eu tenho um plano e vou contá-lo a vocês!"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Decepção


Yasmin e Tannis galopavam sem parar. A ansiedade dela era grande para encontrar-se com seu amado e ele, deseja a batalha mais que tudo. Suas razões lhes eram suficientes para impulsioná-los adiante.
O sol já estava se pondo quando chegaram à esplanada. Yasmin desceu de seu cavalo à procura de Eduardo. Em sua busca, encontrou Nazari e explicou- lhe sobre Tannis; o que ele era e o que poderia fazer para ajudá-los. A notícia sobre o lobo guerreiro se espalhou pela planície, e logo se podia ouvir os uivos da fera e os gritos de seus oponentes. Os guerreiros redobraram os seus ânimos.
Por onde passava, Yasmin só via morte, corpos mutilados, tanto de homens quanto de demônios. Ela estava com sua espada e adaga nas mãos, e ao encontrar o inimigo, não hesitava, usando de seus poderes e dos golpes de suas armas. E foi assim, entre um corpo que caía e outro que ela o avistou. Eduardo parecia extasiado, ela pensou que ele poderia estar ferido, então correu ao seu encontro.
Ao perceber que algo se aproximava, Eduardo saiu de seu estado de torpor, virou-se para golpear com seu martelo quando percebeu que era Yasmin. Ele jogou a arma e correu para tomá-la em seus braços.
"Ah Yas, eu morri, ou estou sonhando ou você realmente está aqui? Essa guerra não me enlouqueceu, não é mesmo? Você realmente está aqui." – ele dizia enquanto a beijava, e misturado com a chuva, podia sentir o sal das lágrimas da moça.
"Sim, meu amor, eu estou aqui. Você achava mesmo que conseguiria fugir de mim assim tão facilmente?" – ela forçou um sorriso.
Com o coração ainda saltando freneticamente em seu peito, Eduardo lembrou-se que ainda estavam em uma guerra e que vira Meriatan entrar pela fenda da montanha.
"Yasmin, temos que nos apressar, pois Meriatan poder estar correndo grande perigo. Acredito que ele tentará impedir sozinho que Bento ressuscite o rei dos dragões. Vamos!" – ele a puxou e saíram em disparada.
Eles abriam espaço entre os inimigos aniquilando o mais rápido possível. E de longe, Tannis avistou sua amiga juntou de seu amado, porém, não conseguia entender a loucura daqueles dois, se jogando dentro da batalha, ele não aceitaria isso, o louco ali era ele, e então, foi de encontro ao casal guerreiro, passando a ajudá-los.
Eduardo não acreditava naquilo que via, um lycan atacando os inimigos, mas Yasmin gritou dizendo que depois explicaria tudo. Continuaram a abater aqueles demônios; Eduardo esmagando corpos a cada golpe, Yasmin decepando cabeças com sua espada e com seu poder mandava para longe aqueles que se aproximavam demais, enquanto Tannis destruía seus inimigos com suas garras e mordidas. E desta maneira, os três venciam seus inimigos até chegarem à caverna.
Dentro da fenda, Eduardo fez com que uma pequena tocha se acendesse e assim, adentraram a estreita passagem por entre a montanha. Estava tudo tão escuro e silencioso, eles mal respiravam, e de vez em quando Yasmin olhava para trás e só conseguia ver o brilho da luz do olho do lobo. Ao chegarem a um determinado local, ouviram vozes e as reconheceram no ato, era Meriatan e Bento.
"Muito bem, jovem aprendiz! Você fez exatamente o que eu queria e está exatamente onde deveria estar." – Meriatan falava com um tom satisfeito na voz.
"Agora, juntos, governaremos esse mundo. Ninguém poderá nos deter, Mestre. Mas o vejo sozinho, onde está Eduardo? O combinado era que o senhor o trouxesse aqui para que o sangue dele libertasse o dragão e eu tivesse a minha vingança. Onde está o nosso sacrifico?" – perguntou o jovem.
A gargalhada de Meriatan ressoou por toda a montanha.
"Ah meu jovem... tão inocente! – o velho dava volta em torno de uma grande pedra achatada que mais se parecia com uma mesa – Eu poderia dizer que você tem tanto a aprender ainda, mas... Enfim, - ele suspirou - você achava mesmo que eu, Meriatan – o grande, iria me preocupar em encontrar um simples neófito apenas para que você pudesse ter a sua vingançazinha?! Não, meu caro, o sacrifício está aqui, mas não é o SEU mago e sim o meu. E o meu mago é VOCÊ!"
E com apenas um golpe, Meriatan cortou a garganta de Bento, e este, levou suas mãos à garganta, sentindo o líquido quente escorrer por entre seus dedos e tombou na mesa de pedra. Eduardo gritou: "NÃOOOOOOOO!"
A tempestade foi embora dando lugar a lua cheia que brilhava fortemente no topo do céu.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Medo?

Eduardo se perguntava por que alguém que havia lhe salvo a vida, duas vezes, morre em sua frente, sem que ele pudesse fazer alguma coisa.
Olhou tristemente aquele corpo pequeno e frágil como quem contempla a tristeza. Sentiu-se tonto quando ao virar-se para o lado e deparou-se com tantas cenas de destruição; seres mágicos lutando uns contra os outros, o sangue pintando a terra que já tinha se tornado barro avermelhado de sangue. Do céu caíam corpos, vinham agora sem medo, de ponta para o chão. Eduardo sentia sua cabeça pesada, as batalhas que ele admirava tanto não pareciam mais ter valor algum. Por quê? Por que essa luta pelo poder? Por que alguém é capaz de matar tantos, perder tantos, para ser mais forte, sentir-se mais forte?
A noite já ia caindo e para combinar com as belíssimas cenas de destruição, começou a cair uma tempestade. Os raios abafavam os sons das armas e a chuva tentava levar o sangue embora. Eduardo via agora um rio de sangue, corpos caídos e em seu rosto, uma lágrima solitária morria sem mudar nada...

domingo, 4 de julho de 2010

Anjo Caído

Foram longos dias voando na maior velocidade atrás dos dragões, seguindo os rastros de destruição e morte deixando para trás. Mesmo vendo toda aquela cena de destruição, os pensamentos de Eduardo sempre estavam em Yasmin; sempre voltava sua visão para trás esperando vê-la, mas não era possível... será que ela estava lhe esperando? O que estaria fazendo naquele momento? Será que pensava nele assim como ele pensava nela? Já era a saudade, eram os pensamentos de quanto tempo isso iria durar, mas tentava esquecer e focar-se no que estaria por vir.
Por muitas vezes, enfrentaram criaturas que tentavam atrasá-los, mas sempre venciam, pois não passavam apenas de mera distração. No quinto dia de viajem, desceram em um descampado onde encontraram Meriatan reunido com outros guerreiros.
“Que bom ver mais rostos amigos! – Meriatan disse sorrindo - Vejo que trouxeram bastante ajuda, é bom poder contar com os anjos ao nosso lado. Estamos aqui há dias, mas não temos forças suficientes para atacar a toca no inimigo, e eles estão esperando a lua cheia para realizarem o ritual de libertação do rei dos dragões.” Nazari interrompeu: “Agora temos força o bastante, temos que atacá-los, pois amanhã já será noite de lua cheia.”
“É verdade, sábio amigo. - falou Meriatan - Agora somos um exército forte, mas eles são poderosos; três dragões celestiais são capazes de dizimar exércitos inteiros, e além do mais, eles contam com a ajuda de seres da escuridão, demônios que não temem a morte e sem medo da dor, fortes e mortais. Bem, se todos estiverem de acordo, vamos atacá-los ao amanhecer. Se prepararam para batalha!”
Então, ao amanhecer, todos estavam em formação de guerra. Vários guerreiros de diversas terras formavam a linha de frente, ele tremia, mas eram impulsionados pelo discurso de seus reis, e esses guerreiros amavam Meriatan, o julgavam como um ser poderoso que trazia sorte nas batalhas, e ter os anjos como aliança de guerra. Sim, eram homens mortais, porém motivados e valentes.
Os arcanjos, por sua vez, se mantinham calados, como se de luto, mas seriam capazes de qualquer coisa para acabar com esses seres imundos. Já os anjos negros, batiam no peito, flutuavam como se não viessem a hora de derramar o sangue do inimigo, aplaudiam a chance, aplaudiam a permissão para matar.
Podia se ver magos juntos aos guerreiros, ora preparando os seus cajados, ora abençoando suas armas; fazendo suas orações baixinho, e havia os magos montados em seus grifos flutuando junto aos anjos, esperando ansiosos pela batalha.
Em um determinado momento, os guerreiros começaram a ouvir o som de tambores, eram os demônios anunciando que estavam prontos, Meriatan gritou: “Eles vão atacar! Arqueiros prepararem-se!” - Ao longe, via-se uma multidão de seres horrendos correndo, vindo ao ataque. Flechas cobriam o céu, fazendo uma imensa sombra no chão. Quando caíam, as flechas atingiam vários demônios, mas alguns, mesmo feridos, continuavam a avançar, e outros só ouviam as flechas caírem incapazes de vazar suas armaduras.
Os magos avançaram, liberando seus poderes e se ouvia há quilômetros os sons da batalha. De repente, do céu surgiram os dragões e contra eles, os magos em seus grifos e anjos. Diante da grossa pele dos dragões, os anjos e magos pareciam ser inúteis em seus. Três anjos foram em direção a um dragão de vinha cuspindo fogo contra eles, porém, os anjos eram rápidos, conseguindo desviar-se das chamas fazendo com que o dragão se perdesse. Quando o dragão voltou a tê-los em seu campo de visão, foi aprisionado em um encantamento. Fora puxado até o chão e amarrado pelas forças da natureza. O dragão gritava e cuspia fogo, enquanto guerreiros procuravam uma forma de acabar com ele. Os homens viam que o trabalho em equipe estava surtindo efeito e se animavam a cada avanço da batalha.
Do outro lado, um dragão perseguia Eduardo que voava mais rápido desviando-se dos disparos da fera. Ele encontrou uma fenda na montanha por onde o dragão não poderia penetrar e assim entrou nela. Foi neste momento, que avistou Meriatan passando por entre o combate terrestre e correndo com seu cavalo até uma pequena entrada na montanha. Eduardo imaginou que o mago deveria ter descoberto onde Bento estaria escondido. Ele não poderia deixar Meriatan só, precisava ajudar. Então saiu da fenda tentando chegar até a entrada o mais rápido possível, mas não percebeu que o dragão ainda o esperava do lado de fora. Foi então arrancado de seu grifo pelas garras da fera alada.
Eduardo tentava escapar, dando golpes com seu machado nas garras do dragão, sem surtir nenhum efeito. De repente, ele e o dragão estavam caindo rumo ao chão. Antes de atingirem o chão, Eduardo conseguiu se soltar, tentando agarrar-se em uma arvore. Houve um grande estrondo, o pó da terra seca se levantou e quando Eduardo pode observar ao seu redor, Jeliel estava com sua lança cravada na cabeça do dragão, contudo, a lança de dupla ponta também vazava o seu coração. Eduardo correu em direção ao anjo, querendo fazer algo, mas era tarde demais, ali jazia um herói e seu inimigo.

Revelações

Ela ficou olhando a briga entre as duas feras, sabendo que não adiantaria fugir, aquele que sobrevivesse iria atrás dela.
A fera de Tannis abocanhava o vampiro, e este, por sua vez, o lançava longe, quebrando arvores por onde colidia. Por vários momentos, Yasmin pensava que Tannis não perderia aquela batalha, e ficava imaginando como teria coragem de matá-lo já que ele estava tentando salva-la daquele sanguessuga, mas de qualquer forma era seu inimigo, pois foi um dos seus que terminara com a vida de sua avó.
Em determinado momento, o vampiro virou a luta em seu favor, agarrou o enorme lobo pelas costas dando um forte abraço que fez Yasmin ouvir quando os ossos se quebravam. Tannis foi jogado ao chão, o corpo mole, desacordado. O vampiro riu e quando iria finalmente, cravar suas presas no pescoço peludo do lobo, Yasmin enviou de onde estava, um galho que parecia uma estaca, guiado pelo vento de sua magia, bem nas costas do monstro, perfurando-lhe o corpo.
O vampiro viu a estaca atravessando seu corpo e a agarrou com as duas mãos. Sua expressão era um misto de dor, surpresa e ódio, ele sibilou: “Você!” – Foi a única palavra que ela ouviu daqueles lábios frios, pois o lobo de Tannis levantou-se e arrancou a cabeça do vampiro com uma só mordida, e logo em seguida correu adentrando à floresta.
Yasmin tremia, aquilo não poderia estar acontecendo. Ela estava se recuperando do choque quando ouviu um farfalhar, olhou assustada para a direção e viu Tannis, agora em forma de homem saindo à clareira.
“Não tenha medo. – ele disse ao vê-la agarrar-se em sua adaga – Não lhe farei nenhum mal.” – Ele dava passos lentos em sua direção mas parou quando percebeu que ela iria atacar. “Calma pequena maga, vou lhe explicar tudo o que está acontecendo.”
Foi então que ele lhe contou a sua sina. Tannis foi mordido por um lycan, ainda jovem, assim recebendo o fardo da transformação de homem para um monstro. Em sua primeira lua cheia, ocorreu a sua metamorfose, terminou acabando com todos de seu vilarejo, incluindo sua família. Ao acordar pela manhã, vendo o que fizera, desejou a morte, tentando se matar por várias vezes, mas era impossível, pois seu novo corpo se auto-regenerava a cada tentativa, ele se viu perdido em seu fado.
Em sua busca por cura ou libertação, conheceu um grupo de magos. O ancião da tribo lhe presenteou com um amuleto capaz de fazê-lo controlar a fera que estava dentro de si, podia se transformar quando queria e quando houvesse perigo por perto.
Durante muito tempo ele viveu entre esse grupo, casou-se com a filha do ancião e conheceu tempos de paz. Mas a infelicidade não o deixou, um dos magos o odiava por ter se casado com a filha do ancião, e sabendo o seu segredo, numa noite, enquanto todos dormiam, foi até a cabana do ancião, o matou com golpes de violência, simulando o ataque de um animal e também sua filha. Na manhã seguinte, Tannis foi culpado pelos assassinatos e fugiu para que pudesse retornar e vingar-se. Ao entardecer, foi ao encontro de seu inimigo e o matou sem misericórdia. Depois disso, ele vive como andarilho e só deixa a fera aparecer quando realmente precisam dela.
“E é por isso que estou indo à essa batalha, Yasmin. Sei que meu lobo poderá ser útil de alguma forma e quem sabe, terei a sorte de me redimir.” – ele disse baixando os olhos e fitando seus pés. Yasmin sentiu pena do homem à sua frente, engoliu em seco e foi forte ao dizer: “Tudo bem, se é assim, precisamos nos apressar, pois algo me diz que pode ser tarde demais.”
Tannis assobiou e surgiram os dois cavalos, apressaram-se em montá-los e saíram em disparada, não havia mais tempo para conversas, o dia seguinte seria noite de lua cheia e Yasmin tinha a impressão de que algo muito terrível estava para acontecer.
“Estou chegando, meu amor. Se tivermos de morrer que morramos juntos.” – ela pensou com lágrimas nos olhos..

sábado, 3 de julho de 2010

Um estranho viajante

Yasmin ficou olhando seu amado desaparecer por entre as nuvens do céu e as nuvens de fumaça. Ela queria ter ido junto, lutar ao lado dele, mas precisava ficar e ajudar Diana a colocar em ordem tudo o que os dragões estragaram. Outros magos ficaram para trás também, pois ninguém saberia dizer quando os dragões poderiam voltar.
Foram dias árduos, de muito trabalho. Enterrar os mortos, abrigar aqueles que ficaram sem nada, reconstruir a vila. Mas HH recebeu a solidariedade das vilas vizinhas, inclusive de Causville.
Os dias se passavam e Diana não recebia noticias de Nazari e dos outros, ela estava preocupada: “Não sei mais o que fazer, Yasmin. Talvez seja interessante enviar mais apoio para nossos amigos. Temo pela vida deles.” Yasmin sentia seu coração apertar, sabia que seu destino estava amarrado ao de Eduardo, e que era ao lado dele que ela deveria estar. Ao olhar para o oeste, elas podiam observar a nuvem negra de destruição, o sol se tornará como sangue no horizonte, aqueles eram dias maus.
Na manhã seguinte, Yasmin selou seu cavalo e partiu rumo ao oeste, já havia ajudado o bastante aos moradores da vila, agora iria correr ao encontro de seu destino. Foi fácil encontra o caminho, pois por onde passava o sinal da desgraça e destruição se espalhavam por todos os lados.
Pelo caminho, ela encontrou um homem muito misterioso. Ele estava coberto com um manto marrom e um capuz, tinha um pedaço de pau em uma das mãos que usava como cajado e na outra carregava um saco, arco grande e aljava cheia de flechas nas costas. Yasmin não viu mais ninguém com ele, nem mesmo um cavalo. Ele gritou quando ela passou por ele: “Boa tarde, senhora! Não iria por esse caminho, se é que posso lhe dar este conselho. Dizem que há uma guerra acontecendo por lá.” – Ela segurou as rédeas de seu cavalo, virou-se para o forasteiro e pode ver o rosto do homem, era um rosto todo marcado por profundas cicatrizes: “Então é exatamente para lá que devo ir.”
“Será que posso acompanhá-la, já que estou indo para a mesma direção? Não é bom viajar por estes lados sozinha.” – ele disse. Ela o olhou desconfiada e respondeu: “Meu senhor, vejo que estas sozinho e sem uma montaria. Tenho pressa, agradeço a oferta, mas devo partir o quanto antes.” –Ela nem terminou de falar quando ouviu o homem dar um longo assobio e de dentro da mata saiu um cavalo cinza de longas crinas. “Agora posso acompanhá-la?” – perguntou com um sorriso. Ela deu de ombros e saiu em disparada. O homem logo a alcançou: “A propósito, meu nome é Tannis Orsoba.”
Eles estavam um tanto longe do lugar da batalha e por isso, mesmo sem muito falar, Yasmin ficou sabendo mais sobre aquele viajante. Nas poucas paradas que tiveram, ela observou que o homem possuía mais daquelas cicatrizes, espalhadas também pelos braços e mãos e que levava consigo, pendurado em seu pescoço, um estranho colar, que a deixou intrigada: “Me perdoe, mas não pude deixar de notar o colar que carrega, nunca vi algo semelhante.” Tannis apertou o colar entre os dedos: “Essa é uma longa história... mas ganhei de um amigo, ele já morreu, disse que isso seria meu amuleto da sorte, que me protegeria e até hoje não tem falhado.” Ela olhou para as mãos marcadas do viajante: “É... acredito que sim.” – Ele percebeu o olhar dela, e neste momento, puxou as mangas do casaco e o capuz: “Vamos continuar, agora falta pouco.”
Já estava anoitecendo quando avistaram ao longe as montanhas em fogo, elas mais pareciam com um vulcão em erupção. Mas de repente, os cavalos começaram a relinchar, pisoteando no mesmo lugar, assustados, derrubaram seus cavaleiros e saíram em disparada pela floresta, do lado oposto. Yasmin e Tannis levantaram-se rapidamente e de costas um para o outro fitavam a escuridão à sua frente. “Não estamos sozinhos.” – Tannis sussurrou.
Ouviram quando a coisa pulou de cima de uma árvore. Voltaram-se para onde ouviram o barulho e lá estava, agachado próximo a árvore, um homem com um olhar maligno, em seus lábios, um leve sorriso, a pele era tão branca que parecia brilhar a luz da lua. Devagar, Tannis foi empurrando Yasmin para trás, eles sabiam o que era aquela criatura – um vampiro.
O vampiro dilatou as narinas como se pudesse sentir o cheiro do sangue que corria pelas veias de suas vítimas, ele os olhava fixamente. Yasmin segurou bem firme o cabo de sua adaga ainda na bainha, ela não tinha medo do perigo e estava ficando irritada com a tentativa de Tannis de protegê-la. Foi então que ele disse: “Corre!” – e o vampiro abriu bem a sua boca mostrando suas presas fatais e num piscar de olhos, já agarrava Tannis pela jugular.
Foi tudo muito rápido, no momento que Tannis foi agarrado, ele a empurrou com muita força e ela pode observar a transformação. Diante de seus olhos incrédulos, Tannis se transformou num enorme lycan, abocanhando por sua vez, o pescoço do vampiro.
Yasmin sentiu vontade de vomitar, estava viajando o tempo todo ao lado de seu inimigo. Sabia que teria de matar um ou outro, ou quem sabe os dois. Levantou-se e começou a concentrar suas forças, a batalha seria ferrenha.

A cidade em chamas


Eduardo e Yasmin tiveram uma noite maravilhosa. Saborearam o melhor vinho da região, cearam o que de melhor aquela terra tinha para oferecer e depois de uma noite de prazer, Yasmin adormeceu nos braços de Eduardo, sendo levemente acariciada.
Pela manhã, acordaram com batidas na porta, era o café que chegava. Ao sair, seus cavalos já estavam prontos para viagem. Foram embora como heróis, passando tranqüilamente pela floresta. Eduardo observava Yasmim, calma e suave, via uma pequena borboleta passar perto do rosto da amazonas como se quisesse observar de perto sua beleza. Observava o sol horas vencer a densa floresta e tocar o rosto calmamente. Yasmin olhava para Eduardo que sorria e segurava sua mão, e assim seguiram viagem de mãos dadas cruzando a floresta, os riachos e as montanhas.
Faltava pouco para chegarem a HH, quando olharam para o céu e notaram estranhamente que os pássaros aos bandos voavam em direção contraria, como se fugissem de alguma coisa. Sentiram que algo ruim estava acontecendo e apertaram o passo até conseguirem ver fumaça vindo de sua vila. Começaram a correr, queriam chegar rápido, acreditavam que sua vila estaria sendo atacada. Conforme se aproximavam, a temperatura se elevava e já se ouvia gritos e o tilintar das espadas.
Quando a floresta acabou, puderam ver claramente a vila em chamas. Pessoas corriam, outras lutavam e algumas caíam ao chão, mortas cremadas pelo sopro dos dragões. Os dragões sobrevoavam a vila destruindo tudo, devorando com suas chamas a vida que existia em Haunted Hill. Eduardo viu Nazari e Diana lutando bravamente com um dragão que mergulhava ferozmente contra eles, então, ele empunhou sua lança e correu, subiu por uma casa desviando dos lugares que queimavam e saltou nas costas do dragão que agora subia de seu mergulho segurando Diana em umas de suas garras.
Eduardo cravou a lança na cabeça do dragão que soltou Diana e voltava de ponta em direção ao chão. Yasmin vendo que Diana morreria naquela queda usou seu poder fazendo assim que ela levitasse e pousasse em segurança. Eduardo em um ato talvez de desespero, saltou do dragão, talvez esperasse a morte quando algo o segurou.- “Olá mago guerreiro! É bom ter anjos para nos proteger, não é?” - Eduardo viu que seu salvador era apenas um adolescente, ou tinha apenas a aparência, era pequeno e magro, seus cabelos eram lisos e loiros, o rapaz estava todo de branco e sandálias douradas, e em suas costas, batia pequenas asas brancas. O jovem anjo soltou Eduardo no chão e voltou para a batalha.
Diana contou a eles o que estava acontecendo: “Bento nos enganou. Ele roubou o livro dos dragões e ressuscitou os quatro dragões celestiais e assim, podendo controlá-los. Temo que ele possa libertar também o rei dos dragões, mas se ele o fizer, o mundo corre grande perigo.” Nazari se juntou a eles e olhando para Diana disse: “Foi por isso que o mestre Meriatan nos procurou. Ele já sabia que algo errado estava acontecendo. E me juntei a ele em busca de respostas às nossas perguntas. Tudo isso nos levou até os anjos que aceitaram nos ajudar e se unir a nós nessa batalha contra os dragões.”
Neste momento, várias pessoas foram se aproximando. Vários guerreiros estavam ali em volta, e juntando-se a eles, vários anjos. Um anjo se aproximou e atrás dele uma grande tropa de anjos que mais pareciam adolescentes vestidos de branco e asas enormes, o anjo disse: “Já nos conhecemos Diana. - sorriu e olhando para os demais, acrescentou - Eu sou Jeliel, líder dos arcanjos, os anjos protetores.” Outro anjo de imensas asas negras, vestido com uma armadura pesada, assim como vários outros que estavam próximos se apresentou: “Eu sou Elimiah, líder dos anjos da morte, e meus seguidores irão emprestar sua força nessa batalha.” – Diana estava maravilhada com aquela imensa junção de forças: “Eu agradeço a cada um de vocês, anjos e magos guerreiros. Vão amigos, a batalha os espera.” - E os anjos sem pensar levantaram vôo.
Nazari jogou seu manto para trás, agarrou-se ao seu cajado e dirigindo-se aos magos disse: “Vamos Arcana de Aris, estamos em guerra!” Nesse momento, enormes grifos desceram do céu e cada mago foi subindo no seu. Um deles parou diante de Eduardo, este, porém não sabia o que fazer, mas aquele animal o olhou como se pudesse ver o que ele pensava. Nazari fez um sinal para que Eduardo subisse no grifo.
Yasmin estava toda suja e suas lagrimas manchavam mais o seu rosto. Eduardo a olhou e ela correu em sua direção, ele lhe deu um forte abraço e se beijaram profundamente. “Volte pra mim, meu amor, eu estarei aqui esperando por você.”E assim, Eduardo subiu em seu grifo que estranhamente fazia o que devia como se lesse a mente dele.
Os magos em seus grifos, juntamente com anjos negros e anjos protetores, voaram em direção a batalha.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mudança Repentina


Eduardo caminhava rapidamente quase arrastando Yasmim pela mão. Olhava para trás a fim de verificar se alguém os seguia e para frente medindo a distancia que faltava para sair daquele lugar; sentia claramente algo estranho no ar. E foi assim, neste exato momento que eles foram surpreendidos pela bruxa.
"Acharam mesmo que eu não havia sentido a presença de vocês?" - ela gargalhou - "É uma pena que vocês não possam ver suas expressões. - ela tinha no rosto um sorriso malévolo - É estranho quando a morte está tão próxima não é mesmo?" - e a gargalhada dela era de meter medo até mesmo no mais valente guerreiro, porém, era uma mulher belíssima, pelo visto já havia feito muitos sacrifícios.
EEduardo imediatamente puxou Yasmin para trás no mesmo momento que lançou uma rajada de fogo na mulher a sua frente. Porém como Yasmin já havia alertado, ela era muito poderosa e se não fosse o ótimo reflexo dele, teria se queimado todo, pois a bruxa enviou o mesmo feitiço em versão dobrada.
Quando Eduardo olhou pra trás, Yasmin havia sido atingida, mas não pelo fogo, era outra magia que a bruxa havia disparado, ela estava no chão. Eduardo perdeu-se e também foi acertado pela bruxa. Nessa distração, Yasmin se levantou e foi em direção a sua oponente lançando contra ela todo o poder do vento, arrastando vários objetos que tentavam atingir a bruxa, mas era inútil, ela escapava sorrindo um sorriso tenebroso e por fim levantou sua mão e paralisou Yasmin. Eduardo vendo aquilo se levantou e foi ao ataque novamente, mas com outro gesto ela também o paralisou. Os dois não podiam se mexer. Lentamente, o ser do mal se aproximou de Yasmin, apontando um dedo com uma longa unha que mais parecia uma adaga encurvada, e com sua unha ela tocou o rosto de Yasmin, descendo pelo pescoço até os seios. Ela olhava Eduardo com desdém, enquanto ele tentava se mover, mas sem sucesso. Ela disse: “Eu já fui assim também... tão jovem, tão bonita, mas saiba que isso tudo vai acabar um dia, maguinha. E aí, você irá desejar ter esse corpinho de volta. O que são essas crianças? O sangue delas te fará tão bem, você permanecerá jovem e linda... sem falar numa força maravilhosa. Isso é a vitalidade, meu bem, correndo por todo o seu corpo!”
Eduardo tinha nojo daquela mulher... aquilo não passava de uma bruxa maldita, velha e horrenda, numa fantasia de mulher e estava tocando a sua Yasmin. O seu ódio era tanto que encontrou dentro de si, toda energia que precisava... não era o sangue de crianças que o fortaleceria, era a força do sentimento que ele tinha por Yasmin que o motivava... ela era tudo o que ele possuía e não a perderia assim. Enquanto a bruxa esbanjava seu discurso pobre, Eduardo saiu de seu estado paralisado, e usando de toda sua força e poder adquirido em seu treinamento na escola dos magos, canalizou toda sua energia vital em sua lança e num movimento muito rápido a lançou no coração da bruxa. Yasmin foi libertada. A bruxa esperneava, presa entre a lança e a parede rabiscada com sangue. Ele aproximou-se dela e retirando seu punhal arrancou-lhe a cabeça.
Os moradores de Causville já estavam preocupados com o sumiço dos visitantes, acreditando que eles poderiam ter sido vitimas dos misteriosos desaparecimentos, quando os viu saindo de dentro da floresta. Eduardo trazia consigo a cabeça da bruxa, eles pareciam muito exaustos.
Ao ver o povo vindo ao seu encontro, Eduardo olhou para Yasmim e disse: “Ontem éramos seres perigosos, agora vão dizer que somos heróis.” - largou a cabeça e continou ate uma grande pedra onde poderia se sentar e ouvir toda a ladinha que estava por vir. Yasmim explicou o que havia acontecido ao povo, inocentando assim os magos de HH. Enquanto ela falava, um homem saiu correndo para o meio da floresta. Um dos anciões do vilarejo tomou a palavra: “Causville tem uma dívida com os moradores de Haunted Hill. Seremos eternamente gratos e quando precisarem de nós, não hesitaremos em ir ao vosso socorro. Que todos saibam, a partir de hoje os magos de Haunted Hill sejam nossos amigos e aliados, para sempre sejam lembrados.”
QQuando o velho terminou o seu discurso, o homem que tinha adentrado à floresta apareceu novamente, agora carregando uma criança em seus braços. Ele chorava muito e caiu de joelhos no chão, abraçando o corpo inerte do que um dia fora seu filho. Eduardo ao ver aquela cena se levantou e disse: “De que adianta agora?! Tantas crianças morreram e nós aqui não salvamos nenhuma delas." – havia revolta em sua voz.
Então o ancião olhou para ele e o tocou no ombro dizendo: “Você é jovem ainda, parece que deixa toda energia tomar conta de si. Sim, perdemos muitos, mas sabemos que esse ser do mal não nos trará mais nenhuma desgraça... o nosso povo e o seu povo agora poderão juntos lutar para que seres como esse não habitem nossas terras. Mas agora amigos, vocês precisam descansar. Por favor, sigam essas mulheres, elas os levarão para um local agradável para que descansem e tenham uma noite de heróis, que é o que vocês são para nosso povo.” O velho ancião virou as costa e disse baixinho: “Obrigado novamente, de coração amigos, tenham uma boa noite, pois a missão de vocês está apenas começando, eu posso ver.”

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mistérios

Yasmim segurou o braço de Eduardo apontando para a cabana - "Tem alguém lá dentro." - ele debochando disse: "É só o vento, alguma sombra... sei lá." Eduardo mal acabou de fechar a boca, quando ouviram o ranger de uma fechadura. Ele apertou sua lança e deu um passo a frente de Yasmin, colocando-a para trás. - "Eu vou entrar. Deve ter alguém lá dentro." - ele deu uma piscadela. - "Eu te disse." - ela sussurrou.
Foram abaixados, quase engatinhando até a janela. Yasmin verificou com sua percepção: "Se havia alguém aí dentro, não está mais." Eduardo levantou a cabeça e, tentando manter-se escondido, olhou a casa, quando constatou que ninguém podia lhe ver, saltou para dentro dando sinal para Yasmin entrar. Verificaram com cautela o interior da velha cabana, Yasmin olhou melhor a parede e pode ver, com ajuda da luz da lua, estranhos sinais na parede. Os estranhos desenhos estavam por todas as paredes da casa, Eduardo se aproximou de um deles tocando-o com o dedo. - "Parecem feitos com sangue!" - Yasmin recuou e tropeçou em algo que fez abrir uma pequena porta no chão. Havia uma escada velha que sumia na escuridão. Eduardo olhou para Yasmin e desceu cuidadosamente, testando a cada passo a resistência dos degraus, Yasmim o seguiu.
O porão era sombrio, podiam sentir o cheiro de morte que pairava no ar. Eles temiam ascender alguma tocha, a pessoa poderia estar escondida ali. Aos sussurros, eles se comunicavam: "Amor, tem algo muito estranho aqui." - afirmou Yasmin. Neste momento, outro ranger, agora de algum móvel sendo arrastado. Eduardo puxou Yasmin para trás da escada e ali ficaram observando.
Saindo de uma passagem secreta na parede, uma mulher, agora andando ereta, sem se curvar. De onde ela havia saído, o cheiro de sangue era forte, e olhando bem, eles podiam ver o sinal do sangue escorrendo pela boca dela.
Eduardo sabia que ela era uma vampira, mas de repente, a mulher sumiu no ar, deixando apenas o cheiro de morte. "Ela é uma bruxa, Edu!" - assegurou Yasmin. "Vamos dar uma olhada no esconderijo dela." - disse Eduardo a puxando.
Ao entrar no local, os símbolos se repetiam, haviam velas e mesmo assim, o lugar era escuro, no chão um enorme pentagrama e no meio dele, pedaços de carne, humana. Yasmin afundou seu rosto no peito de Eduardo, não queria acreditar no que via. Era realmente uma bruxa.
“Eu sei o que está acontecendo aqui. – ela falou – Essa mulher está raptando e assassinando essas crianças. Ela está fazendo sacrificios para manter sua juventude.” – Eduardo franziu o cenho: “Como você sabe disso, Yas?” Ela continuou: “Minha avó contava que antes de Cristo, haviam pessoas que sacrificavam crianças ao deus Moloch, faziam isso para fertilidade ou coisa assim, mas foi um bruxo chamado Enoluth, alguns séculos depois, que descobriu que o mesmo sacrifício trazia o segredo da juventude. Esse ritual foi sendo passado de geração a geração, porém somente os magos que usavam a magia negra o realizavam. Quando a coisa foi agravando, um clã de magos brancos caçou e aniquilou aqueles que praticavam tal ritual e assim, pensava-se ter acabado com toda essa crueldade. Agora vejo que isso não teve fim.” – Yasmin chorou e Eduardo a abraçou.
“Vamos sair daqui, Edu. – ela disse enxugando as lágrimas - Essa bruxa acabou de oferecer o sacrifício. Além da juventude, ela garante uma força inumana, não poderemos fazer nada contra ela se resolver voltar. Temos que reunir os magos de HH.”

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A cabana no meio da floresta


“E então, o que você deseja?” – ele tirou uma mecha de cabelo solta no rosto dela. Yasmin se espreguiçou, o envolveu pelo pescoço e lhe deu um beijo. "Hummm... na verdade eu já consegui o que queria." - ela sorriu e ele a abraçou. "Então façamos o seguinte, vamos voltar para casa, tomar um banho, café e depois veremos as novidades, o que acha?" - ele perguntou beijando sua testa. "Tudo bem. Já que você mencionou, me deu até uma fominha. - ela sorriu - Mas ainda preferiria ficar aqui com você." - eles se beijaram e começaram tudo de novo.

Ao chegarem em casa, encontraram os magos todos reunidos no grande salão, já havia passado o horario do café. Diana estava liderando uma reunião e parecia muito preocupada: “Meu povo, estamos enfrentando tempos difíceis, mas tarde falaremos sobre isso, porém algo mais urgente está acontecendo. Todos sabem que em Causville esta havendo algo estranho, um surto de crianças desaparecidas, certo? Porém, nos últimos dias a coisa está piorando e os pais, assustados, estão culpando a nós. Não podemos ficar alheios a este acontecimento, precisamos nos envolver na busca e tentarmos desvendar esse mistério. Por favor, meu povo, não fiquemos de braços cruzados, isso poderá vir contra nós.”
O discurso continuou por mais algum tempo e houve muitas opiniões. Eduardo estava muito desconfiado, suspeitava da ação de vampiros, mas por que eles estariam levando só as crianças? - ele pensou. Enquanto Yasmin, com seu sentido mais aguçado, achou melhor fazer algumas pesquisas.

"Edu, - disse Yasmin - o que acha de irmos até esta cidade e verificarmos o que esta acontecendo?" É claro que Eduardo concordou na hora. Tomaram o café da manhã, se arrumaram, selaram dois cavalos, pois pretendiam chegar ao vilarejo antes do almoço.

Causville ficava há 30 milhas de distancia, conseguiram chegar no horário pretendido. As pessoas os olhavam desconfiados, muito mais por Eduardo que havia insistido em levar sua lança, certamente por isso ele tinha a sensação de estar sendo vigiado. Ao passarem por entre os moradores, um lugar comum, parecia muito com HH, as pessoas estavam taciturnas, cabisbaixas, o rosto sombrio. Os homens encaravam Eduardo e as mulheres cochichavam ao vê-los passarem, não havia crianças brincando nas ruas, nem animais. Era uma cidade lúgubre.

“Vamos procurar um lugar para descansarmos um pouco e podermos almoçar. Meu estômago já está reclamando.” – Eduardo falou apertando a barriga. Entraram numa pequena taberna, Yasmin achou o lugar perfeito para começar sua investigação. Foram até uma mesa e sentaram, aguardando para serem atendidos. Dois homens no balcão pararam de tomar suas cervejas e ficaram observando os estranhos. “Não sei por que, mas acho que não somos bem vindos.” – observou Eduardo, porém Yasmin mantinha-se calma e deu um leve sorriso ao taberneiro que logo veio até eles. “O que querem aqui? Vão comer alguma coisa?” – ele perguntou secamente. “Sim, meu senhor, poderia nos trazer duas cervejas, pães e sua melhor carne salgada?” – Eduardo foi logo pedindo. O homem fechou a cara e virou-se rapidamente para atender ao pedido.
Quando o taberneiro trouxe o pedido, Yasmin perguntou: “Gentil senhor, poderia me dizer, se além de nós, a cidade teve outros viajantes, pessoas diferentes?” O homem gostou da voz dela, pois abriu um sorriso naquele rosto fechado e respondeu, agora sem o tom seco na voz: “Ah sim, temos observado alguns viajantes sim, eles não entram na cidade, passam longe, devem ter ouvindo os rumores do desaparecimento de certo. A senhorita já ouviu falar não é, de nossas crianças desaparecidas? – ela concordou com a cabeça e ele continuou – Então, coisa triste isso, os pais estão trancando as crianças em casa, mas estamos achando que é tudo culpa daquela vila cheia de bruxos, Haunted Hill. A propósito de onde vocês são?” – Eduardo engoliu o pão a seco e foi logo respondendo: “Somos do norte, meu senhor. Estamos procurando um lugar onde possamos fixar residência.” – o homem olhou para Yasmin e ela sorriu concordando. “Mas não se preocupe, senhorita, vamos pegar esses malditos, ah se vamos!” – o taberneiro deu um murro na mesa próxima.

Após o almoço, resolveram fazer algumas perguntas que não os levaram a nada, e continuaram suas buscas, saíram pela redondeza para conhecimento de campo. Depois de uma longa caminhada, pois deixaram os cavalos na estalagem, encontraram escondida entre a mata, num espaço entre os dois vilarejos, uma outra cabana abandonada.

Eduardo estava preocupado com a hora: "Yas, vamos voltar, amanhã continuamos com a investigação." Quando eles já estavam retornando, perceberam um vulto, alguém estava tentando se esconder, passar despercebido, todo encurvado... o vulto entrou na cabana.

domingo, 9 de maio de 2010

Inevitável


Estavam seguindo rumo a casa, quando Eduardo parou e olhou suas mãos juntas, com os dedos entrelaçados. “Eu pensava que o amor só podia me prejudicar. – disse olhando fixo para Yasmin - Estava decidido que não iria amar mais ninguém, que assim seria mais fácil. Não quero perder ninguém que me seja querido, mas estou aqui, conhecendo grandes pessoas que me fizeram criar laços e agora, você me enfeitiça, rouba meu coração, me faz te amar e eu não quero resistir mais”. Ela sorriu: "Eu sou muito malvada mesmo." – Dizendo isso, saiu correndo por entre as árvores como uma criança. Eduardo foi atrás; os dois pareciam crianças brincando de pega-pega. Ele corria sem deixar de prestar atenção nos cabelos dela que haviam se soltado e agora balançavam livremente ao vento. Yasmin olhava para trás sorrindo e nesse momento esqueciam-se do mundo e de todos.
Entraram em uma pequena cabana esquecida, bem no meio da floresta, e ali, ela não tinha para onde fugir de Eduardo. Quando ele a alcançou, a tomou em seus braços num forte abraço. Yasmin ainda não havia sentido toda aquela sensação, nunca havia amado um homem, por isso sentia que o amor que tinha por Eduardo era tão forte, tão avassalador. Nesse momento, Eduardo não se lembrava de seu passado e não pensava em seu futuro, a não ser naquele momento, no sorriso de sua amada. Seus corações batiam fortemente e acelerados, e mesmo assim, mantinham-se no mesmo ritmo, a única coisa que podiam era se entregar ao que estavam sentindo.
Eduardo a beijo no pescoço e deslizou seus lábios até o ombro dela que estava desnudo, Yasmin sentia que ao toque dos lábios de seu amado, havia um rastro de fogo. Ela deslizava os seus dedos pelo corpo de Eduardo, e sentia a pele arrepiar-se, isso a deixava extasiada. E então, vulneráveis um ao outro, abandonaram suas roupas, sentindo como seus corpos se encaixavam perfeitamente, como se fossem criados para aquela magia. A cada beijo, suas línguas se entrelaçavam em ritmos ora ansiosos ora suaves, sempre com muito desejo e vontade. Cada beijo, cada toque, seus corpos tremiam de tanto prazer, ambos sentiam o poder do fogo tomar conta de seus corpos. Ao ouvir os suspiros e gemidos de sua amada, Eduardo sentia-se mais excitado, e então devorava com vontade aquele lindo pedaço de pecado.
Na manhã seguinte Eduardo acordou primeiro, e ficou olhando, observando Yasmin dormir. Ela dormia tão tranquilamente. Enfim, ele aproximou-se a beijando calmamente ate que ela despertou se espreguiçando, tão bela e tranqüila. "Bom dia! – ele disse - Acho que dormimos demais. - ele a abraçou - E você ainda não me contou sobre o seu convite."

sábado, 8 de maio de 2010

O Beijo


Ela estava decidida quando se dirigia ao campo de treino, uma arena onde os jovens guerreiros treinavam. Sabia que seu comportamento não condizia com as atitudes das mulheres de sua época, mas ela não era uma mulher comum, concluiu consigo mesma. Então, ao passar pelos portões da arena, sabia exatamente o que faria. Ela o avistou, ele estava de joelhos na terra, sem camisa, ainda suando e ofegante por causa dos exercícios físicos, os músculos contraídos. A boca dela secou, suas mãos transpiravam geladas, as apertou junto ao corpo, e continuou firme até se aproximar dele.
“Você treina demais, mago guerreiro.” – ele sorriu, limpando o suor com o antebraço. “Eduardo, tenho um convite para lhe fazer, você aceita? Diz que sim." – e ele respondeu: “Claro que sim, Yas, o que você deseja?” Então ela se aproximou dele e meio sem jeito, o beijou nos lábios. A princípio, Eduardo se assustou porque não esperava por isso, mas tratou logo de trazê-la para mais perto de seu corpo, e então, o beijo se intensificou. Suas línguas se procuravam num ritmo frenético, a respiração de ambos estava ofegante, Eduardo a apertava de modo que se alguém os viesse, pareceria uma só pessoa. Yasmin sentia seu corpo em brasas e a sensação era maravilhosa, estavam tão juntos que ela sentia o coração dele pular querendo sair de dentro do peito. Apenas se separaram quando ouviram passos se aproximando.
“Vejam só o que temos aqui!” – era Bento, em um tom irônico, caminhando lentamente com os braços para trás. “Um casalzinho de magos. Que bonito, tão romântico! Mas não acham que este não seria o lugar apropriado para ficarem de corte?” A feição de Eduardo mudou. “Se é ou não apropriado, isso não é problema seu, Bento.” Yasmin o tocou no braço a fim de acalmá-lo. “Claro... de fato. Mas por favor, poupem-me de certas ceninhas da próxima vez, ok?” – e antes de se virar, jogou um longo olhar para Yasmin, e Eduardo se conteve porque ela o segurou e ficou observando até que ele sumisse de vista, então se voltou para ela, segurando o seu rosto entre as mãos, disse: “Perdoe a grosseria desse brutal, e não se sinta envergonhada. – disse ao perceber que ela enrubescia – Você é perfeita e corajosa, fez o que eu deveria ter feito desde a primeira vez que a vi.” Yasmin fechou os olhos e ele a beijou novamente, desta vez, um beijo sereno e cheio de carinho.
Saíram da arena direto para a casa, de mãos dadas, com a sensação de que não existia mais nada neste mundo além do amor dos dois. Mas à espreita, Bento os observava, com sua boca salivando de maldade, prometendo a si mesmo que não deixaria essa felicidade durar, faria de tudo para acabar com aquele romance. “Esse Eduardo se acha o melhor de todos, conquistando a confiança de Fabian, me envergonhando diante dos demais, até Diana fala bem dele. Mas isso logo vai acabar, assim que eu conseguir tirar sua pequena Yasmin, ele ficará vulnerável e aí sim, eu o destruirei.” Os olhos de Bento se estreitaram, até os demônios fugiriam dele naquele momento.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Treinamento


No dia seguinte, Eduardo foi chamado pelo capitão da guarda - Fabian, para observar o treinamento da escola de guerra dos magos. Chegando, manteve-se nos cantos observando os jovens treinarem. Haviam diversos tipos de treinamentos físicos e mentais. Garotos magrelos que abriam árvores ao meio com um simples balançar de mãos, Eduardo estava muito atento a tudo aquilo, sentiu-se um pouco fraco diante daqueles pequenos magos, pois tudo o que havia aprendido era alimentar suas armas com sua energia. Já havia amedrontado muitos inimigos com seu martelo soltando raios ou sua lança cuspindo bolas de fogo, mas diante daqueles pequenos aprendizes seus poderes eram truques de criança. Foi tirado de seus pensamentos por uma voz: "Olá, Eduardo! É bom tê-lo por aqui. Ouvi dizer que você não teve muito tempo para treinar seus poderes elementares." Eduardo se aborrecia, porque todas as pessoas pareciam lhe conhecer e ele estava nessa terra há tão pouco tempo. - " É verdade, tive que sair da minha vila. O meu treinamento foram minhas batalhas." - o estranho continuou: "Isso valoriza ainda mais o aprendizado. Sou Bento, um humilde guerreiro. Que tal um treinamento, combate homem a homem? Vamos ver como você se sai." Eduardo aceitou o convite, nunca negou um treinamento ou uma batalha. Ele tentava atingir o seu oponente, mas Bento sempre se esquivava e o atingia pelas costas, derrubando-o no chão. Isso se repetiu por várias vezes, Eduardo ficava surpreso com a facilidade que era vencido. Então, tentou usar toda sua força, uma ultima tentativa contra aquele que parecia invencível; arremessou uma bola de fogo de sua lança e o oponente pulou, lançou outra que Bento segurou com apenas umas das mãos. Eduardo então correu pra cima e jogou sua lança contra ele, mas Bento se abaixou esquivando-se e sorrindo, porém, quando voltou, havia perdido Eduardo de vista, que chegava agora por cima soltando um forte golpe com seu martelo. Bento tentou se defender com a bola de fogo que ainda segurava em suas mãos, contudo, o golpe fora tão forte que fez com que a bola explodisse, arremessando os dois para longe. Quando a fumaça se dissipou, Eduardo estava em pé, ofegante com seu martelo soltando raios e Bento estava no chão. Todos os magos olharam surpresos, pois Bento jamais tinha caindo em combate. Ele levantou-se e Eduardo pode ver a ira em seus olhos, pareciam pegar fogo. Eduardo podia ler claramente naqueles olhos: "eu quero matar você!", mas nesse momento Fabian interveio, colocando a mão no ombro de Bento e dizendo: "Muito bem garotos, vamos guardar nossas forças para o inimigo lá fora. Parabéns Eduardo, com um pouco mais de treino você será um guerreiro valoroso para nossa escola." - E assim, Eduardo passou a treinar todos os dias, e aprendeu usar melhor seus poderes. Fabian era um ótimo professor, sabia retirar o poder escondido de cada aluno, e quando seus alunos achavam que não podiam mais, ele mostrava que ainda tinha um pouco mais a dar. Ele surpreendia-se, todavia com Eduardo, que nunca reclamou ou disse que não podia mais, ele ia ate o limite de seu corpo, muitas vezes caindo exausto, mas ainda tentando. Por outro lado, Bento olhava para Eduardo com desprezo e inveja, existia algo sombrio em seus olhos.
Eduardo tinha costume de prolongar seus treinos, mesmo quando todos já haviam partido, continuava treinando, muitas vezes dormiu no campo de treino. Ás vezes, Fabian continuava com Eduardo, ele era um senhor castigado pelo tempo e guerras, possuía a voz arrastada, difícil de entender, mas dava a Eduardo muitas lições de combate e magia, ensinando-o como usar perfeitamente suas magias combinadas com seu ataque físico.
Certa noite, Yasmin entrou no campo e lá estava Eduardo de joelhos no chão, espalmando a terra com as mãos, de seu rosto pingava suor. Eduardo sentiu o perfume de Yasmin que lhe fazia vibrar, perfume que ele jamais se esqueceu desde a primeira vez que o se sentiu. Colocou-se de pé olhando para linda garota que vinha em sua direção, dizendo: "Você treina demais, mago guerreiro." - sorriu um sorriso tão gostoso que ele faria qualquer coisa que aquela boca lhe pedisse. "Eduardo, tenho um convite para lhe fazer, você aceita? Diz que sim."

O Funeral


Yasmin puxou Eduardo, ele, porém sentiu-se um pouco frustrado com sua tentativa de conquista, mas resolveu que o tempo seria o seu melhor aliado, levantou-se e a seguiu.
Atravessaram a ponte que termina em frente a casa, Diana estava se despedindo do velho mago. O olhar dela escondia algo e quando Eduardo perguntou do que se tratava, ela apenas balançou a cabeça e disse: “Tudo há seu tempo, jovem Eduardo, mas agradeço sua preocupação. Além do mais, creio que temos uma cerimônia para preparar, certo Yasmin? Estou sabendo que vocês trouxeram o corpo da sua avó, então daremos a ela um funeral digno do nosso povo. Fique tranqüila, minha querida." – e se retirou sem mais palavras. Eduardo se manteve no hall de entrada observando que o velho não estava mais sozinho, vários magos montados em seus cavalos iam se juntando a ele enquanto caminhava, um deles Eduardo conhecia era Nazari e pensou: "Se um mago com o poder de Nazari o esta acompanhando é porque algo importante está acontecendo." O velho ergueu seu cajado e um cavalo branco de patas largas veio em sua direção, Eduardo ficou olhando até que os cavalheiros sumiram de vista. O que estava se passando, Eduardo sentia-se incomodado, afinal ele tinha certeza que algo importante acontecia e ele nada sabia. Ele entrou na capela, tentaria insistir com Diana, mas observou que Yasmin não tinha aquele lindo sorriso em seu rosto.
Os olhos de Yasmin encheram-se de lagrimas; como pode esquecer-se assim de sua amada avó? Que sentimentos eram esses que ela não conhecia? Eduardo observando a agitação na garota aproximou-se, colocando uma das mãos em seu ombro e a tranqüilizou: “Yasmin, dará tudo certo, Diana cuidará de tudo e eu estou aqui, pronto para ajudá-la, no que precisar.” – Ela sorriu em agradecimento e entrou para seus aposentos.
Eduardo ficou a olhando se afastar e não podendo fazer nada naquele instante, procurou, por sua vez, conhecer quais atividades os moradores exerciam durante o dia, e aproveitando para tentar saber o que aquele mago estava fazendo por lá, qual o motivo de levar outros magos tão valorosos com ele? Todavia, só soube que o velho era de grande prestigio, respeitado e temido por todos, chamava-se Meriatan e junto de mais três eram os magos mais poderosos existentes na face da Terra. Então, tentou ser prestativo em tudo o que encontrou pela frente, ajudou a cortar lenha, acender lareiras e fornos, saiu com alguns caçadores e no final do dia estava exausto, mas satisfeito, pois já havia se familiarizado com outros magos. Mas, durante todo o dia, em sua cabeça só havia duas coisas: Yasmin e o velho viajante.
Após seu banho e jantar, Eduardo reuniu-se com alguns magos na biblioteca. Lá ficou sabendo sobre a escola para formação de guerreiros e ficou interessadíssimo em ingressar, contudo, toda vez que a porta era aberta, seus olhos corriam em busca de uma pessoa em particular, mas essa nunca aparecia.
Enquanto isso, em seu quarto, Yasmin estava absorta nos próprios pensamentos, lembrando de sua avó e das maravilhas que ela contava, e seu coração ficava apertado pois sabia que nunca mais a veria, não poderia contar sobre o novo sentimento, esse que lhe consumia a alma e que muitas vezes a fazia esquecer de tudo, não podia lhe contar sobre Eduardo, o jovem que a salvara e que lhe despertava tantas sensações diferentes. Pensava tanto que havia se esquecido da hora do jantar, mas seus pensamentos foram interrompidos por leves batidas em sua porta. Era Diana. – “Boa noite, Yasmin! Está tudo bem com você, querida?” – Yasmin concordou com a cabeça, ela continuou – “Não quer comer nada? Ainda temos alguns retardatários no salão de jantar e eu posso lhe fazer companhia enquanto come. O que acha?” Diana fez um sinal e Yasmin a seguiu ao salão. “Me perdoe Mestra. Esqueci-me das horas e não sei bem como viver entre outras pessoas. Desde que me conheço por gente só havia eu e minha avó.” Diana a olhou com carinho e respondeu: “Não precisa se desculpar, criança, com o tempo você irá se encontrar e verá que nasceu para isso aqui. – ela sorriu – E temo que exista alguém que está muito preocupado com sua ausência.” Yasmin seguiu o olhar de Diana e encontrou aqueles olhos azuis que tanto a encantava, Eduardo deu-lhe um largo sorriso.
Durante o jantar de Yasmin, conversaram sobre coisas alegres e depois, Eduardo e Diana discutiam os últimos detalhes para o funeral. “Temos um cemitério no alto da colina, um belíssimo lugar para nossos valorosos guerreiros, o lugar perfeito para nossa irmã. - Diana falava com entusiasmo – Eu mesma me encarreguei de tudo. Amanhã pela manhã, realizaremos o ritual de passagem.”
Na manhã seguinte, todos estavam com vestes formais, tomavam o café silenciosamente, e Diana os chamou para seguirem o cortejo. Em frente à casa havia uma carruagem simples, na cor azul clara e em cima dela, um caixão com o corpo da velha feiticeira. Ele fora feito com madeira nobre e os detalhes pintados em tons de branco e dourado, estava todo revestido de flores silvestres e sob o corpo da feiticeira, um delicado véu bordado. Assim que todos haviam se reunido, o cortejo saiu. Era bem cedo ainda, a brisa era suave, as aves mantinham seu canto baixo, havia borboletas ao redor do caixão, algumas mulheres jogavam flores por onde a carruagem passava e Diana cantava uma espécie de mantra, tão branda e profunda, impossível não se emocionar, Yasmin não conseguia conter as lágrimas, e Eduardo não saiu do seu lado, por muitas vezes pensou em algo confortante, mas se mantinha em silencio como um guardião apaixonado e silencioso.
Ao subir a colina, viam-se as águas cristalinas com tons esverdeados, banhadas pelo sol lá embaixo. O cortejo parou em frente ao pequeno cemitério, e realmente, o lugar era perfeito, pensou Yasmin. Quatro homens, incluindo Eduardo, retiraram o caixão da carruagem e o dispuseram em cima de uma mesa que estava posta em frente a uma cova já preparada. As pessoas fizeram uma meia lua, enquanto Diana continuava seu mantra e realizava a cerimônia. Yasmin estava encantada com aquelas pessoas que tinham o coração tão bondoso e a acolhera tão bem, ficou ali ouvindo aquelas palavras tão bonitas, sentindo o sol morno acariciar-lhe o rosto, secando suas lagrimas, mal percebeu sua cintura sendo enlaçada pelos braços de Eduardo e seu coração se aqueceu. No final, quando a terra já cobria o caixão, as pessoas já haviam deixado o lugar, ele sussurrou em seu ouvido: “Agora começa uma nova etapa em sua vida e eu estarei ao seu lado... sempre.” Ela não conseguia desviar o olhar daqueles olhos hipnotizantes, sorriu concordando: “Sim, eu sei.”
Nesse momento, o tempo fechou, nuvens carregadas pintavam o céu de cinza e uma leve chuva começou a cair em Haunted Hill. Seria um presságio de que algo estaria por acontecer?

terça-feira, 4 de maio de 2010

O dia seguinte


Eduardo acordou lentamente, com os raios de sol tocando o seu rosto, não se lembrava de ter dormindo assim tão bem um dia. Ao lado da cama, numa poltrona, encontrou roupas limpas. Tomou um banho e vestiu-se rapidamente, agradecendo aos céus pela boa acolhida. Saiu de seu quarto e encontrou a senhora de cabelos vermelhos sentada apoiada em seu cajado. "Bom dia irmão Eduardo! Vamos, o café está sendo servido." - ela o olhava com a expressão de uma criança que admira o que esta vendo, ele se sentiu um pouco desconfortado.Desceram as escadas e foram até o salão da noite anterior. O lugar já tinha algumas poucas pessoas e por onde passavam, ele ouvia os sussurros. A senhora o levou até uma mesa e ali se serviram, enquanto tomava o seu café, a mulher falava: “Desculpe-me por não me apresentar ontem, preferi que assim fosse, para que vocês pudessem relaxar e descansar da jornada. Meu nome é Diana, sou a mais antiga e experiente maga dessa região.” Eduardo admirou-se, pois a mulher parecia tão jovem, mas manteve-se em silêncio, principalmente por estar de boca cheia. A mulher não parava de falar, contava sobre a vila, as maravilhosas festas, os eventos que aconteciam, e Eduardo escutava calmamente enquanto apreciava aquelas deliciosas rosquinhas cobertas de açúcar.
"Bom dia, querida Yasmin!” - disse Diana. Eduardo voltou-se para trás, para onde Diana se dirigia e quase cuspiu o que tinha na boca ao ver aquela jovem tão linda. Ele se lembrava de como a garota lhe pareceu bela à primeira vez que a vira, com o rosto sujo e a roupa castigada, mas naquele momento, ela estava surpreendente, tinha tanta beleza que até um anjo a invejaria.
Yasmin sentiu o rosto corar quando percebeu os olhares sobre ela, mas foi o olhar de Eduardo que a fez queimar por dentro. Foi convidada a sentar-se e tomar café ali com eles. A conversa continuou por alguns momentos quando de repente, a porta se abriu, e um senhor alto de roupa surrada e longa barba branca entrou já pedindo uma conversa com Diana. Rapidamente ela se levantou e os dois subiram as escadas ignorando a presença dos demais. Eduardo achou ótimo, pois queria uns minutos a sós com aquela linda garota que estava sentada ao seu lado. Ela apreciava seu café em silêncio, quase não erguia os olhos para encará-lo. Eduardo era de poucas palavras, mas pensava que aquele seria o momento exato para que elas surgissem, porém, nenhuma palavra aparecia, ele somente conseguia contemplar a beleza daquela garota. Foi neste instante que ela o olhou e sorriu. "Obrigada por ontem. Se não fosse por vocês... – ela se deteve um instante e continuou - acho que não tinha mais forças para lutar." Eduardo a olhou fixamente e disse: "Eu tive minha família, meus amigos, todos exterminados por feras e não exito em momento algum, se tiver a chance de acabar com um deles, eu irei até o fim. - Ele mordeu os lábios e pensou – “Ótimo! Falou muito bem, seu tapado! Agora é hora de falar sobre isso!?” – Mas Yasmin falou e em seu tom de voz havia dor e tristeza: - "Eu tambem quero acabar com esse seres que destroem a vida." Então, Eduardo resolve mudar de assunto, vendo que ela terminava seu café. “Vamos tentar esquecer um pouco dessas coisas ruins. Que tal darmos uma volta e conhecermos essa cidade?” Yasmin achou excelente a idéia e quase deu um pulo da cadeira em resposta ao convite.
Saíram pela vila, um lugar de casas pequenas e acolhedoras, alguns armazéns, riachos límpidos e árvores majestosas. Nas ruas encontravam pessoas com suas tendas vendendo diversos artigos, frutas e verduras, as crianças brincavam ziguezagueando por entre os aldeões, as galinhas corriam livremente, assim como cães sem dono, os pássaros cantavam suas melodias perfeitas. Yasmin era toda surpresa, não tinha visto coisa igual, o que lembrava era apenas de viver sua vida ao lado da velha feiticeira que chamava carinhosamente de avó, porém para Eduardo, aquele lugar não era nada de outro mundo, ele já havia conhecidos outros vilarejos, mas ficava feliz ao ver o olhar de admiração dela a cada novo detalhe que observavam em seu trajeto.
Eles continuaram andando, quando perceberam, estavam diante de um imenso portão de ferro e do outro lado, um lindo jardim, como um tapete verde com lindos canteiros coloridos. Eduardo abriu o portão dando passagem a Yasmin. Ela sentou-se embaixo de um salgueiro e ele sentou ao seu lado, ficaram em silêncio admirando a beleza do lugar, quando Yasmim quebrou o silêncio: “Nunca imaginei que lugares como este existissem. Tão belo... tão encantador.” – Num impulso Eduardo a repreendeu – “Você não costuma olhar-se muito no espelho, não é?" - ela sorriu timidamente, pegou a mão dele e disse: “Vamos, estou preocupada com o que aquele homem tinha a dizer".