
Yasmin puxou Eduardo, ele, porém sentiu-se um pouco frustrado com sua tentativa de conquista, mas resolveu que o tempo seria o seu melhor aliado, levantou-se e a seguiu.
Atravessaram a ponte que termina em frente a casa, Diana estava se despedindo do velho mago. O olhar dela escondia algo e quando Eduardo perguntou do que se tratava, ela apenas balançou a cabeça e disse: “Tudo há seu tempo, jovem Eduardo, mas agradeço sua preocupação. Além do mais, creio que temos uma cerimônia para preparar, certo Yasmin? Estou sabendo que vocês trouxeram o corpo da sua avó, então daremos a ela um funeral digno do nosso povo. Fique tranqüila, minha querida." – e se retirou sem mais palavras. Eduardo se manteve no hall de entrada observando que o velho não estava mais sozinho, vários magos montados em seus cavalos iam se juntando a ele enquanto caminhava, um deles Eduardo conhecia era Nazari e pensou: "Se um mago com o poder de Nazari o esta acompanhando é porque algo importante está acontecendo." O velho ergueu seu cajado e um cavalo branco de patas largas veio em sua direção, Eduardo ficou olhando até que os cavalheiros sumiram de vista. O que estava se passando, Eduardo sentia-se incomodado, afinal ele tinha certeza que algo importante acontecia e ele nada sabia. Ele entrou na capela, tentaria insistir com Diana, mas observou que Yasmin não tinha aquele lindo sorriso em seu rosto.
Os olhos de Yasmin encheram-se de lagrimas; como pode esquecer-se assim de sua amada avó? Que sentimentos eram esses que ela não conhecia? Eduardo observando a agitação na garota aproximou-se, colocando uma das mãos em seu ombro e a tranqüilizou: “Yasmin, dará tudo certo, Diana cuidará de tudo e eu estou aqui, pronto para ajudá-la, no que precisar.” – Ela sorriu em agradecimento e entrou para seus aposentos.
Eduardo ficou a olhando se afastar e não podendo fazer nada naquele instante, procurou, por sua vez, conhecer quais atividades os moradores exerciam durante o dia, e aproveitando para tentar saber o que aquele mago estava fazendo por lá, qual o motivo de levar outros magos tão valorosos com ele? Todavia, só soube que o velho era de grande prestigio, respeitado e temido por todos, chamava-se Meriatan e junto de mais três eram os magos mais poderosos existentes na face da Terra. Então, tentou ser prestativo em tudo o que encontrou pela frente, ajudou a cortar lenha, acender lareiras e fornos, saiu com alguns caçadores e no final do dia estava exausto, mas satisfeito, pois já havia se familiarizado com outros magos. Mas, durante todo o dia, em sua cabeça só havia duas coisas: Yasmin e o velho viajante.
Após seu banho e jantar, Eduardo reuniu-se com alguns magos na biblioteca. Lá ficou sabendo sobre a escola para formação de guerreiros e ficou interessadíssimo em ingressar, contudo, toda vez que a porta era aberta, seus olhos corriam em busca de uma pessoa em particular, mas essa nunca aparecia.
Enquanto isso, em seu quarto, Yasmin estava absorta nos próprios pensamentos, lembrando de sua avó e das maravilhas que ela contava, e seu coração ficava apertado pois sabia que nunca mais a veria, não poderia contar sobre o novo sentimento, esse que lhe consumia a alma e que muitas vezes a fazia esquecer de tudo, não podia lhe contar sobre Eduardo, o jovem que a salvara e que lhe despertava tantas sensações diferentes. Pensava tanto que havia se esquecido da hora do jantar, mas seus pensamentos foram interrompidos por leves batidas em sua porta. Era Diana. – “Boa noite, Yasmin! Está tudo bem com você, querida?” – Yasmin concordou com a cabeça, ela continuou – “Não quer comer nada? Ainda temos alguns retardatários no salão de jantar e eu posso lhe fazer companhia enquanto come. O que acha?” Diana fez um sinal e Yasmin a seguiu ao salão. “Me perdoe Mestra. Esqueci-me das horas e não sei bem como viver entre outras pessoas. Desde que me conheço por gente só havia eu e minha avó.” Diana a olhou com carinho e respondeu: “Não precisa se desculpar, criança, com o tempo você irá se encontrar e verá que nasceu para isso aqui. – ela sorriu – E temo que exista alguém que está muito preocupado com sua ausência.” Yasmin seguiu o olhar de Diana e encontrou aqueles olhos azuis que tanto a encantava, Eduardo deu-lhe um largo sorriso.
Durante o jantar de Yasmin, conversaram sobre coisas alegres e depois, Eduardo e Diana discutiam os últimos detalhes para o funeral. “Temos um cemitério no alto da colina, um belíssimo lugar para nossos valorosos guerreiros, o lugar perfeito para nossa irmã. - Diana falava com entusiasmo – Eu mesma me encarreguei de tudo. Amanhã pela manhã, realizaremos o ritual de passagem.”
Na manhã seguinte, todos estavam com vestes formais, tomavam o café silenciosamente, e Diana os chamou para seguirem o cortejo. Em frente à casa havia uma carruagem simples, na cor azul clara e em cima dela, um caixão com o corpo da velha feiticeira. Ele fora feito com madeira nobre e os detalhes pintados em tons de branco e dourado, estava todo revestido de flores silvestres e sob o corpo da feiticeira, um delicado véu bordado. Assim que todos haviam se reunido, o cortejo saiu. Era bem cedo ainda, a brisa era suave, as aves mantinham seu canto baixo, havia borboletas ao redor do caixão, algumas mulheres jogavam flores por onde a carruagem passava e Diana cantava uma espécie de mantra, tão branda e profunda, impossível não se emocionar, Yasmin não conseguia conter as lágrimas, e Eduardo não saiu do seu lado, por muitas vezes pensou em algo confortante, mas se mantinha em silencio como um guardião apaixonado e silencioso.
Ao subir a colina, viam-se as águas cristalinas com tons esverdeados, banhadas pelo sol lá embaixo. O cortejo parou em frente ao pequeno cemitério, e realmente, o lugar era perfeito, pensou Yasmin. Quatro homens, incluindo Eduardo, retiraram o caixão da carruagem e o dispuseram em cima de uma mesa que estava posta em frente a uma cova já preparada. As pessoas fizeram uma meia lua, enquanto Diana continuava seu mantra e realizava a cerimônia. Yasmin estava encantada com aquelas pessoas que tinham o coração tão bondoso e a acolhera tão bem, ficou ali ouvindo aquelas palavras tão bonitas, sentindo o sol morno acariciar-lhe o rosto, secando suas lagrimas, mal percebeu sua cintura sendo enlaçada pelos braços de Eduardo e seu coração se aqueceu. No final, quando a terra já cobria o caixão, as pessoas já haviam deixado o lugar, ele sussurrou em seu ouvido: “Agora começa uma nova etapa em sua vida e eu estarei ao seu lado... sempre.” Ela não conseguia desviar o olhar daqueles olhos hipnotizantes, sorriu concordando: “Sim, eu sei.”
Nesse momento, o tempo fechou, nuvens carregadas pintavam o céu de cinza e uma leve chuva começou a cair em Haunted Hill. Seria um presságio de que algo estaria por acontecer?