sábado, 31 de julho de 2010

O rei dos Dragões

Sob a luz da lua cheia a montanha estremeceu e o vulcão cuspiu fogo. Enquanto Meriatan gargalhava sentindo o gosto da vitória, lá fora, eles corriam para se esconder das pedras que rolavam montanha abaixo e do fogo que escorria por ela. Então se ouviu o urro de uma fera e dentro do vulcão surgiu o maior de todos os dragões já visto.
Dentro da caverna, os guerreiros sentiam-se derrotados, Meriatan sorria, saboreava a vitória, e então, Eduardo jurou: "Pode ter conseguido trazer o rei dos dragões de volta à vida, mas você não irá sair daqui vivo!"
Novamente Meriatan gargalhou e uma fumaça verde tomou conta do lugar. Eduardo pode ouvir um sussurro em seu ouvido: "Eu já saí, seu tolo."
E assim, a montanha começou a desabar. Eduardo, Yasmin e Tannis correram para fora, corriam para manter suas vidas. As pedras caíam por todos os lados, a montanha estava desmoronando e eles só não morreram porque Yasmim por várias vezes retirou, com seu poder, as pedras que iriam esmagá-los.
Ao saírem, estavam exaustos e a visão que tiveram do que acontecia lá fora não era nada animadora. Meriatan estava sentado na cabeça do dragão, como se o guiasse, como se ordenasse ao dragão destruir determinado alvo e agora, o alvo eram os três que o desafiaram dentro da caverna. Contra eles vinha uma imensa rajada de fogo.
"Jeliel?!" – Eduardo exclamou, não acreditando no que via.
"Temos que parar de nos encontrar assim. - o anjo sorriu - Já está na hora de você começar a se salvar sozinho, Eduardo. E por que esse espanto? Acha que é fácil destruir uma alma? E mais, o dia da criação superar o criador ainda não chegou!"
Os anjos haviam salvado os três do fogo e da morte certa porém, não podiam salvar o resto do mundo. Meriatan e o dragão iam destruindo tudo por onde passavam, parecia que faziam isso simplesmente pelo prazer de destruir.
Enfim, eles pousaram próximo a Nazari que observava mudo a tudo aquilo. Eduardo correu até Yasmin e a abraçou, ambos ficaram observando as terras queimando. Nazari perguntou a Jeliel: "Por que Ele permite isso?" O anjo o olhou e sua voz era quase um sussurro: "Nazari, isso é obra dos outros."
Neste momento, ouviu-se os passos de um exército se aproximando, era Diana que trazia mais aliados. Eram numerosos soldados que a acompanhavam. Ela desceu de seu cavalo e foi até seus amigos que há muito não os via.
"Saudações, valentes guerreiros! Contem-me o que aconteceu aqui." - ela pediu.
Então contaram à ela o que havia acontecido, e então, Diana retirou de seu bolso um pequeno livro.
"Amigo, neste livro tem a história dos magos e como os magos fazem parte da história do mundo. Agora vou contar-lhes como tudo isso começou..."
Eduardo olhou para o pequeno livro e pensou alto: "A história dos magos contida nesse pequeno livro?! Isso não pode ser possível."
Diana começou a desdobrar o livro, e o desdobrou nove vezes, revelando um grande livro que colocou nas mãos de Eduardo. Este mal conseguiu segura-lo e seus joelhos dobraram-se segurando aquele pesado livro, principalmente porque esperava um livro leve.
"É a versão de bolso." - ela deu uma piscadela. Diana abriu o livro e dele saíam figuras, personagens que saltavam das páginas e brilhavam. Então começou a contar a história: "Há muito tempo atrás, os dragões viviam em paz com a humanidade, dividindo as terras com os homens. Nós, os magos, também tinham os dragões como amigos. Mas o homem descobriu que ao se banhar com o sangue de um dragão tornava-se invencível, possuindo um corpo inviolável e foi assim que a caçada aos dragões começou. Aos poucos, um a um iam sendo exterminados e, cada vez mais homens invencíveis apareciam. Foi então que um poderoso mago aprisionou esses homens e os selou em um só corpo, dando origem a este dragão. Enfim, o rei dos dragões, como fora intitulado, trouxe dentro de si todo o mal que existia dentro de cada homem, porém aquele poderoso mago não conseguiu controlar a raiva do dragão e assim, o trancou com uma magia muito poderosa. Somente uma mente maligna como de Meriatan, que cumpre os desígnios do dragão pode-se manter ligado a ele. Então meus amigos, no final é o dragão que controla Meriatan e não o contrário. E neste livro descreve uma forma de parar o rei dos dragões. Venham, eu tenho um plano e vou contá-lo a vocês!"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Decepção


Yasmin e Tannis galopavam sem parar. A ansiedade dela era grande para encontrar-se com seu amado e ele, deseja a batalha mais que tudo. Suas razões lhes eram suficientes para impulsioná-los adiante.
O sol já estava se pondo quando chegaram à esplanada. Yasmin desceu de seu cavalo à procura de Eduardo. Em sua busca, encontrou Nazari e explicou- lhe sobre Tannis; o que ele era e o que poderia fazer para ajudá-los. A notícia sobre o lobo guerreiro se espalhou pela planície, e logo se podia ouvir os uivos da fera e os gritos de seus oponentes. Os guerreiros redobraram os seus ânimos.
Por onde passava, Yasmin só via morte, corpos mutilados, tanto de homens quanto de demônios. Ela estava com sua espada e adaga nas mãos, e ao encontrar o inimigo, não hesitava, usando de seus poderes e dos golpes de suas armas. E foi assim, entre um corpo que caía e outro que ela o avistou. Eduardo parecia extasiado, ela pensou que ele poderia estar ferido, então correu ao seu encontro.
Ao perceber que algo se aproximava, Eduardo saiu de seu estado de torpor, virou-se para golpear com seu martelo quando percebeu que era Yasmin. Ele jogou a arma e correu para tomá-la em seus braços.
"Ah Yas, eu morri, ou estou sonhando ou você realmente está aqui? Essa guerra não me enlouqueceu, não é mesmo? Você realmente está aqui." – ele dizia enquanto a beijava, e misturado com a chuva, podia sentir o sal das lágrimas da moça.
"Sim, meu amor, eu estou aqui. Você achava mesmo que conseguiria fugir de mim assim tão facilmente?" – ela forçou um sorriso.
Com o coração ainda saltando freneticamente em seu peito, Eduardo lembrou-se que ainda estavam em uma guerra e que vira Meriatan entrar pela fenda da montanha.
"Yasmin, temos que nos apressar, pois Meriatan poder estar correndo grande perigo. Acredito que ele tentará impedir sozinho que Bento ressuscite o rei dos dragões. Vamos!" – ele a puxou e saíram em disparada.
Eles abriam espaço entre os inimigos aniquilando o mais rápido possível. E de longe, Tannis avistou sua amiga juntou de seu amado, porém, não conseguia entender a loucura daqueles dois, se jogando dentro da batalha, ele não aceitaria isso, o louco ali era ele, e então, foi de encontro ao casal guerreiro, passando a ajudá-los.
Eduardo não acreditava naquilo que via, um lycan atacando os inimigos, mas Yasmin gritou dizendo que depois explicaria tudo. Continuaram a abater aqueles demônios; Eduardo esmagando corpos a cada golpe, Yasmin decepando cabeças com sua espada e com seu poder mandava para longe aqueles que se aproximavam demais, enquanto Tannis destruía seus inimigos com suas garras e mordidas. E desta maneira, os três venciam seus inimigos até chegarem à caverna.
Dentro da fenda, Eduardo fez com que uma pequena tocha se acendesse e assim, adentraram a estreita passagem por entre a montanha. Estava tudo tão escuro e silencioso, eles mal respiravam, e de vez em quando Yasmin olhava para trás e só conseguia ver o brilho da luz do olho do lobo. Ao chegarem a um determinado local, ouviram vozes e as reconheceram no ato, era Meriatan e Bento.
"Muito bem, jovem aprendiz! Você fez exatamente o que eu queria e está exatamente onde deveria estar." – Meriatan falava com um tom satisfeito na voz.
"Agora, juntos, governaremos esse mundo. Ninguém poderá nos deter, Mestre. Mas o vejo sozinho, onde está Eduardo? O combinado era que o senhor o trouxesse aqui para que o sangue dele libertasse o dragão e eu tivesse a minha vingança. Onde está o nosso sacrifico?" – perguntou o jovem.
A gargalhada de Meriatan ressoou por toda a montanha.
"Ah meu jovem... tão inocente! – o velho dava volta em torno de uma grande pedra achatada que mais se parecia com uma mesa – Eu poderia dizer que você tem tanto a aprender ainda, mas... Enfim, - ele suspirou - você achava mesmo que eu, Meriatan – o grande, iria me preocupar em encontrar um simples neófito apenas para que você pudesse ter a sua vingançazinha?! Não, meu caro, o sacrifício está aqui, mas não é o SEU mago e sim o meu. E o meu mago é VOCÊ!"
E com apenas um golpe, Meriatan cortou a garganta de Bento, e este, levou suas mãos à garganta, sentindo o líquido quente escorrer por entre seus dedos e tombou na mesa de pedra. Eduardo gritou: "NÃOOOOOOOO!"
A tempestade foi embora dando lugar a lua cheia que brilhava fortemente no topo do céu.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Medo?

Eduardo se perguntava por que alguém que havia lhe salvo a vida, duas vezes, morre em sua frente, sem que ele pudesse fazer alguma coisa.
Olhou tristemente aquele corpo pequeno e frágil como quem contempla a tristeza. Sentiu-se tonto quando ao virar-se para o lado e deparou-se com tantas cenas de destruição; seres mágicos lutando uns contra os outros, o sangue pintando a terra que já tinha se tornado barro avermelhado de sangue. Do céu caíam corpos, vinham agora sem medo, de ponta para o chão. Eduardo sentia sua cabeça pesada, as batalhas que ele admirava tanto não pareciam mais ter valor algum. Por quê? Por que essa luta pelo poder? Por que alguém é capaz de matar tantos, perder tantos, para ser mais forte, sentir-se mais forte?
A noite já ia caindo e para combinar com as belíssimas cenas de destruição, começou a cair uma tempestade. Os raios abafavam os sons das armas e a chuva tentava levar o sangue embora. Eduardo via agora um rio de sangue, corpos caídos e em seu rosto, uma lágrima solitária morria sem mudar nada...

domingo, 4 de julho de 2010

Anjo Caído

Foram longos dias voando na maior velocidade atrás dos dragões, seguindo os rastros de destruição e morte deixando para trás. Mesmo vendo toda aquela cena de destruição, os pensamentos de Eduardo sempre estavam em Yasmin; sempre voltava sua visão para trás esperando vê-la, mas não era possível... será que ela estava lhe esperando? O que estaria fazendo naquele momento? Será que pensava nele assim como ele pensava nela? Já era a saudade, eram os pensamentos de quanto tempo isso iria durar, mas tentava esquecer e focar-se no que estaria por vir.
Por muitas vezes, enfrentaram criaturas que tentavam atrasá-los, mas sempre venciam, pois não passavam apenas de mera distração. No quinto dia de viajem, desceram em um descampado onde encontraram Meriatan reunido com outros guerreiros.
“Que bom ver mais rostos amigos! – Meriatan disse sorrindo - Vejo que trouxeram bastante ajuda, é bom poder contar com os anjos ao nosso lado. Estamos aqui há dias, mas não temos forças suficientes para atacar a toca no inimigo, e eles estão esperando a lua cheia para realizarem o ritual de libertação do rei dos dragões.” Nazari interrompeu: “Agora temos força o bastante, temos que atacá-los, pois amanhã já será noite de lua cheia.”
“É verdade, sábio amigo. - falou Meriatan - Agora somos um exército forte, mas eles são poderosos; três dragões celestiais são capazes de dizimar exércitos inteiros, e além do mais, eles contam com a ajuda de seres da escuridão, demônios que não temem a morte e sem medo da dor, fortes e mortais. Bem, se todos estiverem de acordo, vamos atacá-los ao amanhecer. Se prepararam para batalha!”
Então, ao amanhecer, todos estavam em formação de guerra. Vários guerreiros de diversas terras formavam a linha de frente, ele tremia, mas eram impulsionados pelo discurso de seus reis, e esses guerreiros amavam Meriatan, o julgavam como um ser poderoso que trazia sorte nas batalhas, e ter os anjos como aliança de guerra. Sim, eram homens mortais, porém motivados e valentes.
Os arcanjos, por sua vez, se mantinham calados, como se de luto, mas seriam capazes de qualquer coisa para acabar com esses seres imundos. Já os anjos negros, batiam no peito, flutuavam como se não viessem a hora de derramar o sangue do inimigo, aplaudiam a chance, aplaudiam a permissão para matar.
Podia se ver magos juntos aos guerreiros, ora preparando os seus cajados, ora abençoando suas armas; fazendo suas orações baixinho, e havia os magos montados em seus grifos flutuando junto aos anjos, esperando ansiosos pela batalha.
Em um determinado momento, os guerreiros começaram a ouvir o som de tambores, eram os demônios anunciando que estavam prontos, Meriatan gritou: “Eles vão atacar! Arqueiros prepararem-se!” - Ao longe, via-se uma multidão de seres horrendos correndo, vindo ao ataque. Flechas cobriam o céu, fazendo uma imensa sombra no chão. Quando caíam, as flechas atingiam vários demônios, mas alguns, mesmo feridos, continuavam a avançar, e outros só ouviam as flechas caírem incapazes de vazar suas armaduras.
Os magos avançaram, liberando seus poderes e se ouvia há quilômetros os sons da batalha. De repente, do céu surgiram os dragões e contra eles, os magos em seus grifos e anjos. Diante da grossa pele dos dragões, os anjos e magos pareciam ser inúteis em seus. Três anjos foram em direção a um dragão de vinha cuspindo fogo contra eles, porém, os anjos eram rápidos, conseguindo desviar-se das chamas fazendo com que o dragão se perdesse. Quando o dragão voltou a tê-los em seu campo de visão, foi aprisionado em um encantamento. Fora puxado até o chão e amarrado pelas forças da natureza. O dragão gritava e cuspia fogo, enquanto guerreiros procuravam uma forma de acabar com ele. Os homens viam que o trabalho em equipe estava surtindo efeito e se animavam a cada avanço da batalha.
Do outro lado, um dragão perseguia Eduardo que voava mais rápido desviando-se dos disparos da fera. Ele encontrou uma fenda na montanha por onde o dragão não poderia penetrar e assim entrou nela. Foi neste momento, que avistou Meriatan passando por entre o combate terrestre e correndo com seu cavalo até uma pequena entrada na montanha. Eduardo imaginou que o mago deveria ter descoberto onde Bento estaria escondido. Ele não poderia deixar Meriatan só, precisava ajudar. Então saiu da fenda tentando chegar até a entrada o mais rápido possível, mas não percebeu que o dragão ainda o esperava do lado de fora. Foi então arrancado de seu grifo pelas garras da fera alada.
Eduardo tentava escapar, dando golpes com seu machado nas garras do dragão, sem surtir nenhum efeito. De repente, ele e o dragão estavam caindo rumo ao chão. Antes de atingirem o chão, Eduardo conseguiu se soltar, tentando agarrar-se em uma arvore. Houve um grande estrondo, o pó da terra seca se levantou e quando Eduardo pode observar ao seu redor, Jeliel estava com sua lança cravada na cabeça do dragão, contudo, a lança de dupla ponta também vazava o seu coração. Eduardo correu em direção ao anjo, querendo fazer algo, mas era tarde demais, ali jazia um herói e seu inimigo.

Revelações

Ela ficou olhando a briga entre as duas feras, sabendo que não adiantaria fugir, aquele que sobrevivesse iria atrás dela.
A fera de Tannis abocanhava o vampiro, e este, por sua vez, o lançava longe, quebrando arvores por onde colidia. Por vários momentos, Yasmin pensava que Tannis não perderia aquela batalha, e ficava imaginando como teria coragem de matá-lo já que ele estava tentando salva-la daquele sanguessuga, mas de qualquer forma era seu inimigo, pois foi um dos seus que terminara com a vida de sua avó.
Em determinado momento, o vampiro virou a luta em seu favor, agarrou o enorme lobo pelas costas dando um forte abraço que fez Yasmin ouvir quando os ossos se quebravam. Tannis foi jogado ao chão, o corpo mole, desacordado. O vampiro riu e quando iria finalmente, cravar suas presas no pescoço peludo do lobo, Yasmin enviou de onde estava, um galho que parecia uma estaca, guiado pelo vento de sua magia, bem nas costas do monstro, perfurando-lhe o corpo.
O vampiro viu a estaca atravessando seu corpo e a agarrou com as duas mãos. Sua expressão era um misto de dor, surpresa e ódio, ele sibilou: “Você!” – Foi a única palavra que ela ouviu daqueles lábios frios, pois o lobo de Tannis levantou-se e arrancou a cabeça do vampiro com uma só mordida, e logo em seguida correu adentrando à floresta.
Yasmin tremia, aquilo não poderia estar acontecendo. Ela estava se recuperando do choque quando ouviu um farfalhar, olhou assustada para a direção e viu Tannis, agora em forma de homem saindo à clareira.
“Não tenha medo. – ele disse ao vê-la agarrar-se em sua adaga – Não lhe farei nenhum mal.” – Ele dava passos lentos em sua direção mas parou quando percebeu que ela iria atacar. “Calma pequena maga, vou lhe explicar tudo o que está acontecendo.”
Foi então que ele lhe contou a sua sina. Tannis foi mordido por um lycan, ainda jovem, assim recebendo o fardo da transformação de homem para um monstro. Em sua primeira lua cheia, ocorreu a sua metamorfose, terminou acabando com todos de seu vilarejo, incluindo sua família. Ao acordar pela manhã, vendo o que fizera, desejou a morte, tentando se matar por várias vezes, mas era impossível, pois seu novo corpo se auto-regenerava a cada tentativa, ele se viu perdido em seu fado.
Em sua busca por cura ou libertação, conheceu um grupo de magos. O ancião da tribo lhe presenteou com um amuleto capaz de fazê-lo controlar a fera que estava dentro de si, podia se transformar quando queria e quando houvesse perigo por perto.
Durante muito tempo ele viveu entre esse grupo, casou-se com a filha do ancião e conheceu tempos de paz. Mas a infelicidade não o deixou, um dos magos o odiava por ter se casado com a filha do ancião, e sabendo o seu segredo, numa noite, enquanto todos dormiam, foi até a cabana do ancião, o matou com golpes de violência, simulando o ataque de um animal e também sua filha. Na manhã seguinte, Tannis foi culpado pelos assassinatos e fugiu para que pudesse retornar e vingar-se. Ao entardecer, foi ao encontro de seu inimigo e o matou sem misericórdia. Depois disso, ele vive como andarilho e só deixa a fera aparecer quando realmente precisam dela.
“E é por isso que estou indo à essa batalha, Yasmin. Sei que meu lobo poderá ser útil de alguma forma e quem sabe, terei a sorte de me redimir.” – ele disse baixando os olhos e fitando seus pés. Yasmin sentiu pena do homem à sua frente, engoliu em seco e foi forte ao dizer: “Tudo bem, se é assim, precisamos nos apressar, pois algo me diz que pode ser tarde demais.”
Tannis assobiou e surgiram os dois cavalos, apressaram-se em montá-los e saíram em disparada, não havia mais tempo para conversas, o dia seguinte seria noite de lua cheia e Yasmin tinha a impressão de que algo muito terrível estava para acontecer.
“Estou chegando, meu amor. Se tivermos de morrer que morramos juntos.” – ela pensou com lágrimas nos olhos..

sábado, 3 de julho de 2010

Um estranho viajante

Yasmin ficou olhando seu amado desaparecer por entre as nuvens do céu e as nuvens de fumaça. Ela queria ter ido junto, lutar ao lado dele, mas precisava ficar e ajudar Diana a colocar em ordem tudo o que os dragões estragaram. Outros magos ficaram para trás também, pois ninguém saberia dizer quando os dragões poderiam voltar.
Foram dias árduos, de muito trabalho. Enterrar os mortos, abrigar aqueles que ficaram sem nada, reconstruir a vila. Mas HH recebeu a solidariedade das vilas vizinhas, inclusive de Causville.
Os dias se passavam e Diana não recebia noticias de Nazari e dos outros, ela estava preocupada: “Não sei mais o que fazer, Yasmin. Talvez seja interessante enviar mais apoio para nossos amigos. Temo pela vida deles.” Yasmin sentia seu coração apertar, sabia que seu destino estava amarrado ao de Eduardo, e que era ao lado dele que ela deveria estar. Ao olhar para o oeste, elas podiam observar a nuvem negra de destruição, o sol se tornará como sangue no horizonte, aqueles eram dias maus.
Na manhã seguinte, Yasmin selou seu cavalo e partiu rumo ao oeste, já havia ajudado o bastante aos moradores da vila, agora iria correr ao encontro de seu destino. Foi fácil encontra o caminho, pois por onde passava o sinal da desgraça e destruição se espalhavam por todos os lados.
Pelo caminho, ela encontrou um homem muito misterioso. Ele estava coberto com um manto marrom e um capuz, tinha um pedaço de pau em uma das mãos que usava como cajado e na outra carregava um saco, arco grande e aljava cheia de flechas nas costas. Yasmin não viu mais ninguém com ele, nem mesmo um cavalo. Ele gritou quando ela passou por ele: “Boa tarde, senhora! Não iria por esse caminho, se é que posso lhe dar este conselho. Dizem que há uma guerra acontecendo por lá.” – Ela segurou as rédeas de seu cavalo, virou-se para o forasteiro e pode ver o rosto do homem, era um rosto todo marcado por profundas cicatrizes: “Então é exatamente para lá que devo ir.”
“Será que posso acompanhá-la, já que estou indo para a mesma direção? Não é bom viajar por estes lados sozinha.” – ele disse. Ela o olhou desconfiada e respondeu: “Meu senhor, vejo que estas sozinho e sem uma montaria. Tenho pressa, agradeço a oferta, mas devo partir o quanto antes.” –Ela nem terminou de falar quando ouviu o homem dar um longo assobio e de dentro da mata saiu um cavalo cinza de longas crinas. “Agora posso acompanhá-la?” – perguntou com um sorriso. Ela deu de ombros e saiu em disparada. O homem logo a alcançou: “A propósito, meu nome é Tannis Orsoba.”
Eles estavam um tanto longe do lugar da batalha e por isso, mesmo sem muito falar, Yasmin ficou sabendo mais sobre aquele viajante. Nas poucas paradas que tiveram, ela observou que o homem possuía mais daquelas cicatrizes, espalhadas também pelos braços e mãos e que levava consigo, pendurado em seu pescoço, um estranho colar, que a deixou intrigada: “Me perdoe, mas não pude deixar de notar o colar que carrega, nunca vi algo semelhante.” Tannis apertou o colar entre os dedos: “Essa é uma longa história... mas ganhei de um amigo, ele já morreu, disse que isso seria meu amuleto da sorte, que me protegeria e até hoje não tem falhado.” Ela olhou para as mãos marcadas do viajante: “É... acredito que sim.” – Ele percebeu o olhar dela, e neste momento, puxou as mangas do casaco e o capuz: “Vamos continuar, agora falta pouco.”
Já estava anoitecendo quando avistaram ao longe as montanhas em fogo, elas mais pareciam com um vulcão em erupção. Mas de repente, os cavalos começaram a relinchar, pisoteando no mesmo lugar, assustados, derrubaram seus cavaleiros e saíram em disparada pela floresta, do lado oposto. Yasmin e Tannis levantaram-se rapidamente e de costas um para o outro fitavam a escuridão à sua frente. “Não estamos sozinhos.” – Tannis sussurrou.
Ouviram quando a coisa pulou de cima de uma árvore. Voltaram-se para onde ouviram o barulho e lá estava, agachado próximo a árvore, um homem com um olhar maligno, em seus lábios, um leve sorriso, a pele era tão branca que parecia brilhar a luz da lua. Devagar, Tannis foi empurrando Yasmin para trás, eles sabiam o que era aquela criatura – um vampiro.
O vampiro dilatou as narinas como se pudesse sentir o cheiro do sangue que corria pelas veias de suas vítimas, ele os olhava fixamente. Yasmin segurou bem firme o cabo de sua adaga ainda na bainha, ela não tinha medo do perigo e estava ficando irritada com a tentativa de Tannis de protegê-la. Foi então que ele disse: “Corre!” – e o vampiro abriu bem a sua boca mostrando suas presas fatais e num piscar de olhos, já agarrava Tannis pela jugular.
Foi tudo muito rápido, no momento que Tannis foi agarrado, ele a empurrou com muita força e ela pode observar a transformação. Diante de seus olhos incrédulos, Tannis se transformou num enorme lycan, abocanhando por sua vez, o pescoço do vampiro.
Yasmin sentiu vontade de vomitar, estava viajando o tempo todo ao lado de seu inimigo. Sabia que teria de matar um ou outro, ou quem sabe os dois. Levantou-se e começou a concentrar suas forças, a batalha seria ferrenha.

A cidade em chamas


Eduardo e Yasmin tiveram uma noite maravilhosa. Saborearam o melhor vinho da região, cearam o que de melhor aquela terra tinha para oferecer e depois de uma noite de prazer, Yasmin adormeceu nos braços de Eduardo, sendo levemente acariciada.
Pela manhã, acordaram com batidas na porta, era o café que chegava. Ao sair, seus cavalos já estavam prontos para viagem. Foram embora como heróis, passando tranqüilamente pela floresta. Eduardo observava Yasmim, calma e suave, via uma pequena borboleta passar perto do rosto da amazonas como se quisesse observar de perto sua beleza. Observava o sol horas vencer a densa floresta e tocar o rosto calmamente. Yasmin olhava para Eduardo que sorria e segurava sua mão, e assim seguiram viagem de mãos dadas cruzando a floresta, os riachos e as montanhas.
Faltava pouco para chegarem a HH, quando olharam para o céu e notaram estranhamente que os pássaros aos bandos voavam em direção contraria, como se fugissem de alguma coisa. Sentiram que algo ruim estava acontecendo e apertaram o passo até conseguirem ver fumaça vindo de sua vila. Começaram a correr, queriam chegar rápido, acreditavam que sua vila estaria sendo atacada. Conforme se aproximavam, a temperatura se elevava e já se ouvia gritos e o tilintar das espadas.
Quando a floresta acabou, puderam ver claramente a vila em chamas. Pessoas corriam, outras lutavam e algumas caíam ao chão, mortas cremadas pelo sopro dos dragões. Os dragões sobrevoavam a vila destruindo tudo, devorando com suas chamas a vida que existia em Haunted Hill. Eduardo viu Nazari e Diana lutando bravamente com um dragão que mergulhava ferozmente contra eles, então, ele empunhou sua lança e correu, subiu por uma casa desviando dos lugares que queimavam e saltou nas costas do dragão que agora subia de seu mergulho segurando Diana em umas de suas garras.
Eduardo cravou a lança na cabeça do dragão que soltou Diana e voltava de ponta em direção ao chão. Yasmin vendo que Diana morreria naquela queda usou seu poder fazendo assim que ela levitasse e pousasse em segurança. Eduardo em um ato talvez de desespero, saltou do dragão, talvez esperasse a morte quando algo o segurou.- “Olá mago guerreiro! É bom ter anjos para nos proteger, não é?” - Eduardo viu que seu salvador era apenas um adolescente, ou tinha apenas a aparência, era pequeno e magro, seus cabelos eram lisos e loiros, o rapaz estava todo de branco e sandálias douradas, e em suas costas, batia pequenas asas brancas. O jovem anjo soltou Eduardo no chão e voltou para a batalha.
Diana contou a eles o que estava acontecendo: “Bento nos enganou. Ele roubou o livro dos dragões e ressuscitou os quatro dragões celestiais e assim, podendo controlá-los. Temo que ele possa libertar também o rei dos dragões, mas se ele o fizer, o mundo corre grande perigo.” Nazari se juntou a eles e olhando para Diana disse: “Foi por isso que o mestre Meriatan nos procurou. Ele já sabia que algo errado estava acontecendo. E me juntei a ele em busca de respostas às nossas perguntas. Tudo isso nos levou até os anjos que aceitaram nos ajudar e se unir a nós nessa batalha contra os dragões.”
Neste momento, várias pessoas foram se aproximando. Vários guerreiros estavam ali em volta, e juntando-se a eles, vários anjos. Um anjo se aproximou e atrás dele uma grande tropa de anjos que mais pareciam adolescentes vestidos de branco e asas enormes, o anjo disse: “Já nos conhecemos Diana. - sorriu e olhando para os demais, acrescentou - Eu sou Jeliel, líder dos arcanjos, os anjos protetores.” Outro anjo de imensas asas negras, vestido com uma armadura pesada, assim como vários outros que estavam próximos se apresentou: “Eu sou Elimiah, líder dos anjos da morte, e meus seguidores irão emprestar sua força nessa batalha.” – Diana estava maravilhada com aquela imensa junção de forças: “Eu agradeço a cada um de vocês, anjos e magos guerreiros. Vão amigos, a batalha os espera.” - E os anjos sem pensar levantaram vôo.
Nazari jogou seu manto para trás, agarrou-se ao seu cajado e dirigindo-se aos magos disse: “Vamos Arcana de Aris, estamos em guerra!” Nesse momento, enormes grifos desceram do céu e cada mago foi subindo no seu. Um deles parou diante de Eduardo, este, porém não sabia o que fazer, mas aquele animal o olhou como se pudesse ver o que ele pensava. Nazari fez um sinal para que Eduardo subisse no grifo.
Yasmin estava toda suja e suas lagrimas manchavam mais o seu rosto. Eduardo a olhou e ela correu em sua direção, ele lhe deu um forte abraço e se beijaram profundamente. “Volte pra mim, meu amor, eu estarei aqui esperando por você.”E assim, Eduardo subiu em seu grifo que estranhamente fazia o que devia como se lesse a mente dele.
Os magos em seus grifos, juntamente com anjos negros e anjos protetores, voaram em direção a batalha.