sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Visita inesperada

Ana abriu seu caixão e ficou ali deitada, sorrindo e olhando para o teto pensativa, degustando o poder e a força que corriam pelo seu corpo. Pensava em como a noite fora boa, em como era bom estar bem alimentada e se divertir um pouco com a comida. Foi retirada de seus pensamentos pelo som de passos fortes, James havia se levantado e assim, ela decidiu ir em busca dos ruídos.
Encontrou James sentando, batendo os dedos na mesa e falando sozinho: “Onde ele poderia ter escondido isso?" – Ela ficou intrigada: “Escondido o que?” - Ele estava tão concentrado que não havia sentido a presença dela. Olhou-a com desprezo e entrou em sua mente sussurrando: "Não é da sua conta!" - Ana não acreditava nas mudanças repentinas de humor que ele tinha, hora tão calmo e hora tão maquiavélico com relação a ela. "Desculpe-me, achei que poderia ajudar em sua busca." – ela falou com sinceridade. Em um piscar de olhos, James estava em sua frente e a agarrou pelo pescoço, prendendo-a contra a parede, levantando-a do chão: "Eu já lhe disse que não é da sua conta! Se um dia você merecer, te contarei, mas por enquanto, não é da sua conta e se eu precisar da sua ajuda, eu pedirei.” - Ele a soltou, Ana caiu no chão com a mão no pescoço, pensando em como ele era tão forte, como conseguia dominá-la daquela forma, e ficava irritada em saber que o criador era mais forte. Em sua cabeça, ela pensava que deveria ser mais forte afinal, as futuras gerações tinham que superar as passadas, mas ela era ainda muito fraca, pois James controlava a alimentação. deixando que ela se alimentasse apenas do mínimo.
Neste momento, ouviram batidas na porta da frente do castelo. Quem poderia ser a essas horas da noite? Sendo que geralmente, eles não recebiam muitas visitas...

A face do vampiro

Já passava da meia noite e a névoa subia alta e densa, um homem caminha calmamente de volta à sua casa, deveria estar voltando da casa de uma amante ou quem sabe, de alguma festa, mas uma coisa é certa, ele estava feliz, assobiando alegremente, quando avistou aquela linda silueta feminina. Percebia-se o desenho perfeito do corpo de mulher, ele achou que era seu dia de sorte, quando ouviu em sua mente: “Venha, meu amor, quero você!” - ela se virou e deixou o cabelo girar remexendo o nevoeiro. O homem sentia como que uma ordem ecoasse em sua mente: “Venha, me siga, querido. Venha, você não me quer?” - Ele estava enfeitiçado, não pensava em mais nada apenas no desejo de tê-la e a seguiu.
Eles entraram em um beco escuro, ela parou fazendo um gesto para que ele se aproximasse e ele sem hesitar foi em sua direção, pode então olhá-la com nitidez e ficou boquiaberto com a beleza que via; uma linda jovem de cabelos compridos e negros como uma noite sem luar, de pele branca e macia, de olhos misteriosos e charmosos, sua boca tinha um desenho perfeito, a boca mais bela, de um delicioso vermelho e assim, admirando essas qualidades o homem foi para beijá-la. Mas Ana não queria o beijo, ela queria o pescoço do homem e lentamente ela se aproximou como se aceitasse o beijo, porém esquivou-se indo em direção ao pescoço. Ouviu-se um grito, como que alguém acordasse de um pesadelo e depois disso o silêncio voltou a reinar.
O homem estava desacordado quando James rompeu o nevoeiro e, ao vê-lo, Ana soltou o homem e rastejou para um canto do beco, feito um animal amedrontado. James pegou o homem e o sugou olhando para Ana, que sentia, ao mesmo tempo, medo e vontade de tomar-lhe o corpo de suas mãos. Ele continuou a sugar até quase não restar nada, mas deixou algumas gotas para Ana, empurrando o corpo para ela que o aceitou com prazer. James virou-se: "Termine de raspar o que restou e dê um jeito no corpo. Está havendo uma linda festa e eu estou sedento de uma dança!"
Ao chegar ao local da festa, James já chamava a atenção no hall, as mulheres não puderam deixar de notar aquele homem tão lindo, até mesmo os homens o invejavam e especulavam de onde surgira tal pessoa. James podia ouvir os sussurros, os comentários: “Que belo homem... que porte... como é lindo... tão vem vestido.” - Ele se deliciava com isso enquanto escolhia a sua vítima.
James era um homem que aparentava uma grande experiência de vida, mas era belo e forte com um jovem, seus olhos azuis brilhavam intensamente principalmente quando avistou um pequeno grupo de jovens garotas que sorriam num papo agradável e extrovertido e mesmo assim, não tiravam os olhos dele. James rodou pela festa sem tirar sua atenção das garotas até que uma delas veio até ele: "O senhor não gostaria de dançar?" - James sorriu e aceitou sem falar uma única palavra até começarem a dança. "Dizem que jamais se pode negar um convite de uma dama, mas se me chamar de senhor mais uma vez eu serei obrigado a recusar. Pode me chamar de James.” – A moça sorriu, mas foi pelo fato de ter sido chamada de dama, pois há muito tempo ninguém a chamava assim devido a vida que levava, a dama já havia deixado lugar para meretriz há anos.
E assim entre danças e conversas, no pé do ouvido James cativou o grupo, eram quatro garotas que ele acabou enfeitiçando e levando para o seu abrigo, onde iria brincar e sugar-lhes a vida, uma a uma.
Ana já havia feito a tarefa imposta por seu mestre e observava como era fácil para ele. Sentia raiva de como as mulheres eram bobas e caíam tão facilmente aos encantos dele. James vinha de braços dados as duas delas enquanto as outras duas o seguiam, e foi assim que Ana os encontrou; ela sorriu gentilmente e todos foram devidamente apresentados. Agora o grupo rumava para o castelo em busca de mais diversão, cada um ao seu modo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fome

Quando a noite chegou, Ana foi acordada com a queimação no seu estomago novamente, ela sabia que era a fome. Então abriu a porta de seu quarto tão devagar que ouvidos humanos não ouviriam o ranger da porta, mas ouvidos de um vampiro sim. Ela olhou para um lado e para o outro, não havia sinal de James. “Será que ele saiu ou está escondido em algum lugar desse castelo?” – ela pensou consigo. Percebeu que seu andar era mais macio que de um felino, ela era uma criatura da noite, seus olhos não precisavam de luz alguma, conseguia enxerga em plena escuridão, mas aquela vida nova ainda a assustava, afinal, ela era um monstro agora e seu criador era o seu pior pesadelo. Ela caminhava segurando seu estomago que ardia de forma que parecia incendiar seu corpo inteiro. “Eu preciso comer!”
O castelo era imenso, havia portas para todos os lugares, corredores e escadas... “Onde será que aquele maldito esconde a comida?” – os pensamentos de Ana haviam mudado durante seu sono, não pensava mais em humanos ou uma vida que se ia, agora ela estava no topo da cadeia alimentar e os demais não passavam de apenas alimento. Foi então que se lembrou que seus sentidos deveriam ter mudado também, eles deveriam ser mais aguçados e assim, tentou controlar a dor em seu estomago e ouvir alguma coisa que lhe indicasse onde encontrar sangue. Foi então que ouviu um coração batendo, bem longe, e ela seguiu aquele som, pois no final, encontraria sua comida. “Não ficarei esperando que aquele bastardo me alimente, afinal, sou uma vampira agora, sou forte também.”
O som daquele coração a levou em frente a uma porta, parecia ser a porta de um calabouço, sua fome gritava dentro dela. Quando estava levando a mão à maçaneta, seu pulso foi agarrado por fortes mãos frias como granito. Era James, seu olhar revelava um ódio profundo e sua face de vampiro era bizarra.
“Quando você entenderá que és minha escrava e só comerá quando eu permitir?” – a voz dele era cortante. Ana gaguejou: “Eu estou com fome, mestre. Não suporto a dor.” – ela estava sendo sincera. “Você me obedecerá por bem ou por mal, pois posso deixá-la com fome até sua dor a consumir, o que acha?” Ana tentava se soltar daquela mão, mas viu que era totalmente inútil: “Sim mestre, eu o obedecerei.”
Ele a arrastou até um salão enorme onde a abandonou numa cadeira: “Espere aí, bem quietinha. Seja uma boa vampira.” – Saiu e quando voltou estava com uma ratazana na mão: “Como hoje você me desobedeceu, sua alimentação por hora será esse animal. E não adianta me olhar com esses olhos, pois você terá o que merece, aliás, nem isso você merecia, mas para não dizer que sou cruel.” – jogou o animal no colo de Ana que o agarrou antes que fugisse. Ela estava com nojo, mas sua dor era imensa, cravou seus dentes naquele corpo asqueroso e o sangue tinha um gosto ruim, mas poderia aplacar sua dor por aquele momento.
James sentou-se em outra cadeira, observando a alimentação de Ana. Ele nunca se julgará cruel, mas esse poder correndo por seu corpo dava-lhe a sensação de que poderia fazer o que quisesse com quem quisesse. Na verdade, Ana o atraía, ele desejava a possuir, ela tinha um corpo perfeito, tão jovem e lindo, quanto tempo ele não possuía alguém assim? Mas Ana deveria ceder a ele, como uma boa escrava, ele pretendia domá-la, e se ela se comportasse, ele poderia fazê-la rainha do seu reino da noite, mas por enquanto não compartilharia com ela a história do medalhão, porque enquanto Ana se aventurava pelos corredores do castelo em busca de "comida", ele procurava pelo medalhão de seu antigo mestre porém, sem sucesso, e ele só revelaria a ela esse segredo quando ela o merecesse.
Quando Ana terminou com a última gota de sangue da ratazana, ela o olhava com muita raiva e desprezo. James se levantou e Ana se encolheu na cadeira. “Limpe-se e vamos caçar.” – ele ordenou.

O despertar

A garota acordou assustada: " O que fizeram comigo?! Quem é você?"
James pode ver nos olhos da garota o desespero e o medo: "Calma! Meu nome é James e foi meu antigo mestre quem lhe trouxe para cá e lhe tirou a vida, eu sou aquele que devolveu a sua vida, ou melhor, uma nova vida, pois agora, ambos somos vampiros. Precisei alimentar-lhe com meu sangue para a transformação ser completa.”
A garota parecia não entender o que estava acontecendo ainda, e James se sentia perdido, não sabia como lidar com aquela situação, não sabia o que fazer, foi então que resolveu fazer exatamente a mesma coisa que seu mestre lhe havia feito. Pegou a mão da moça e olhou em seus olhos revelando sua verdadeira face de vampiro. A garota deu um salto para trás, assustada, e como reflexo também deixou escapar a sua verdadeira face. James se aproximou e a segurou pelos ombros: "Agora sou seu mestre, sou seu dono! E você fará tudo o que eu desejar, na hora que eu quiser e em troca, irei lhe ensinar os segredos dessa nova vida, e quem sabe um dia eu lhe conceda a liberdade, porque agora você é a minha escrava, entendeu?”
Ela balançava a cabeça, totalmente hipnotizada: “Sim, sou Ana, sua serva. Farei o que o senhor desejar." - Ela não entendia como aquelas palavras eram tão forte, pareciam entrar em sua mente com um poder estranho e a dominava totalmente. James parecia satisfeito: "Bem, você me parece faminta." – Então ele se retirou e após alguns minutos entrou no quarto arrastando um homem desacordado. James observava cada reação de Ana, ela o olhava com um olhar insano, e então, ele puxou o homem de forma que a cabeça pendia de um lado, deixando à mostra o pescoço, ele a olhou novamente e estava se divertindo com tudo aquilo, e então cravou suas presas naquele pescoço e propositalmente deixou que o sangue escorresse. Ao ver aquilo, Ana sentiu sua boca queimar, o estomago parecia em chamas, era sua fome, uma vontade imensa de devorar, de comer, engolir... seus olhos vidrados no sangue que escorria. James largou o corpo e fez sinal para Ana, ela entendeu perfeitamente e partiu vorazmente para o pescoço do desconhecido, sugando com volúpia e cada chupada sentia-se revigorada, sentia-se forte, mas depois, ainda de joelhos, limpado a boca sentia certo remorso, era uma vida que acabará de devorar.
"A partir de agora você irá se alimentar de sangue. Nossas caças não deverão chamar a atenção de ninguém afinal, não queremos ser perseguidos por ninguém não é mesmo? – ela balançava a cabeça - Então você deve aprender a controlar sua fome e só irá se alimentar quando eu deixar, na hora que eu quiser e somente de quem eu deixar, entendeu?” – James olhou para o horizonte: “Enfim, o dia já esta chegando, e aí vai mais uma regra, não ande por aí durante o dia, o sol é o nosso único inimigo, ele pode nos destruir.” – Ele a conduziu até um lugar onde ela deveria dormir e lhe explicou que ali seria seu refugio durante o dia.
Ao deixar Ana em seu aposento, James ficou relembrando das historias de seu antigo mestre, e apenas uma lhe martelava mais a cabeça: um medalhão criado por um mago que permitia aos vampiros andar por entre as pessoas durante o dia sem que o sol lhe causasse dano algum. “Com certeza meu mestre possuía um medalhão desse, só preciso encontrar onde ele o escondia, e então, não serei apenas o Príncipe da noite mas o mundo irá me temer, pois o que eu desejar, eu terei. – olhou o horizonte de novo, já estava clareando – Bem, a busca ficará para quando o crepúsculo chegar.” E assim, retirou-se para seu esconderijo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Apresentando - James Morris

James Morris se tornou rei da Inglaterra prematuramente aos quatorze anos, após seu pai ter sido deposto pela própria esposa. Teve como regentes a sua mãe e seu tutor, responsáveis pela precoce coroação. Se casou e teve uma ampla descendência.
James tinha uma personalidade forte, revelada logo que atingiu a maioridade. Ao completar 18 anos, tomou o controle do país e ordenou a execução de seu padrasto e exilou sua mãe, acusando-os do assassinato de seu pai, três anos antes.
James tomou a Escocia, mas sofria ataques pois a realeza havia conseguido escapar dos ataque ingleses. Logo após a vitória sobre a Escocia, James voltou-se para outro confito importante da idade média a famosa Batalha dos Cem Anos. Assim James vivia entre a Batalha dos Cem Anos e os ataques da resistência escosesa.
James e seu filho primogenito se respeitavam mutuamente, porém não tinham uma relação muito harmoniosa nem partilhavam a mesma visão. O casamento do filho com a filha do rei da Escocia, e tambem seu pior inimigo, foi motivo de grande ressentimento entre eles. No entanto, quando ele morreu, James chorou a sua morte e se tornou melancólico.
Foi assim, que sua prole imensa deu inicio a Guerra das Rosas, onde diversos ramos de sua decedencia disputavam a coroa. Porém, o rei desapareceu misteriosamente e muitos dizam que por estar melancólido e desgostoso com a guerra que havia começado dentro sua propria familia, havia abandonado tudo. Já outros diziam que seu neto o assassinou em busca do poder. O que eles realmente não sabiam é que James Morris havia encontrado um vampiro que, comovido com sua dor, lhe ofereceu uma nova vida. Contudo, não se pode confiar em um vampiro. Na verdade esse vampiro só o queria como escravo, um grande rei humano alimentava seu ego, e então, durante anos, James Morris, o rei da Inglaterra, foi escravo de um poderoso vampiro.
Os anos se passavam e James se sentia revoltado de como era trado por seu mestre. Um dia, observando seu mestre brincar com umas de suas presas, viu que a garota enquanto tinha sua vida sugada cravava as unhas nas costas do vampiro, arracando-lhe sangue.
James num reflexo, pulou nas costas de seu mestre afim de sugar-lhe o sangue vampiresco. Mas o vampiro era muito mais experiente e assim, o jogou para longe. James caiu sobre uma escrivaninha que se quebrou em pedaços, ele estava agora tremendo jogado ao chão.
"O que pensa, o que queres com isso Morris? Você é o meu escravo e não é sua hora, ainda não podes ser um vampiro. Com essa atitude não iras ser." - o mestre vampiro disse aproximando-se de James para acabar-lhe com a vida.
O vampiro acreditava que James não havia conseguido uma só gota de seu sangue, mas estava enganado. Ainda em trasformação, James pegou a perna da escrivaninha que havia se quebrado e sentindo a força de um vampiro passar pelo seu corpo, cravou-a no coração do vampiro.
O grande mestre não acreditava, morto pelo escravo. James se aproximou e ollhando bem nos olhos do vampiro, disse: "Eu não sou mais seu escravo. Eu, James Morris, ex-rei da Inglaterra por opção, hoje vampiro, eu sou Prince of Night." E assim, empurrou seu antigo mestre contra o vitral do castelo no momento que já estava virando poeira no ar.
James olhou para a garota que ao poucos morria, quase sem sangue dava os ultimos suspiros. Ele não tinha reparado como era bela e jovem e novamente, agindo no impulso, cortou seu pulso e deu a ela de beber de seu sangue.
James observou quando os batimentos da moça cessaram e então, ela adormeceu. Enquanto isso, ele sentia-se melhor do que esteve em toda sua vida. James fora mordido pelo vampiro com a idade de 58 anos, não era mais jovem, mas ainda era um homem forte, de batalhas. Porem, podia sentir que aquele sangue maldito trazia coisas novas para seu corpo... observou que suas mãos não eram mais enrugadas, seus braços e pernas eram resistentes novamente, ele rejuvenescia. Ele sorriu para si mesmo: "Acho que vou gostar muito dessa nova vida, ou morte."