
Eduardo acordou lentamente, com os raios de sol tocando o seu rosto, não se lembrava de ter dormindo assim tão bem um dia. Ao lado da cama, numa poltrona, encontrou roupas limpas. Tomou um banho e vestiu-se rapidamente, agradecendo aos céus pela boa acolhida. Saiu de seu quarto e encontrou a senhora de cabelos vermelhos sentada apoiada em seu cajado. "Bom dia irmão Eduardo! Vamos, o café está sendo servido." - ela o olhava com a expressão de uma criança que admira o que esta vendo, ele se sentiu um pouco desconfortado.Desceram as escadas e foram até o salão da noite anterior. O lugar já tinha algumas poucas pessoas e por onde passavam, ele ouvia os sussurros. A senhora o levou até uma mesa e ali se serviram, enquanto tomava o seu café, a mulher falava: “Desculpe-me por não me apresentar ontem, preferi que assim fosse, para que vocês pudessem relaxar e descansar da jornada. Meu nome é Diana, sou a mais antiga e experiente maga dessa região.” Eduardo admirou-se, pois a mulher parecia tão jovem, mas manteve-se em silêncio, principalmente por estar de boca cheia. A mulher não parava de falar, contava sobre a vila, as maravilhosas festas, os eventos que aconteciam, e Eduardo escutava calmamente enquanto apreciava aquelas deliciosas rosquinhas cobertas de açúcar.
"Bom dia, querida Yasmin!” - disse Diana. Eduardo voltou-se para trás, para onde Diana se dirigia e quase cuspiu o que tinha na boca ao ver aquela jovem tão linda. Ele se lembrava de como a garota lhe pareceu bela à primeira vez que a vira, com o rosto sujo e a roupa castigada, mas naquele momento, ela estava surpreendente, tinha tanta beleza que até um anjo a invejaria.
Yasmin sentiu o rosto corar quando percebeu os olhares sobre ela, mas foi o olhar de Eduardo que a fez queimar por dentro. Foi convidada a sentar-se e tomar café ali com eles. A conversa continuou por alguns momentos quando de repente, a porta se abriu, e um senhor alto de roupa surrada e longa barba branca entrou já pedindo uma conversa com Diana. Rapidamente ela se levantou e os dois subiram as escadas ignorando a presença dos demais. Eduardo achou ótimo, pois queria uns minutos a sós com aquela linda garota que estava sentada ao seu lado. Ela apreciava seu café em silêncio, quase não erguia os olhos para encará-lo. Eduardo era de poucas palavras, mas pensava que aquele seria o momento exato para que elas surgissem, porém, nenhuma palavra aparecia, ele somente conseguia contemplar a beleza daquela garota. Foi neste instante que ela o olhou e sorriu. "Obrigada por ontem. Se não fosse por vocês... – ela se deteve um instante e continuou - acho que não tinha mais forças para lutar." Eduardo a olhou fixamente e disse: "Eu tive minha família, meus amigos, todos exterminados por feras e não exito em momento algum, se tiver a chance de acabar com um deles, eu irei até o fim. - Ele mordeu os lábios e pensou – “Ótimo! Falou muito bem, seu tapado! Agora é hora de falar sobre isso!?” – Mas Yasmin falou e em seu tom de voz havia dor e tristeza: - "Eu tambem quero acabar com esse seres que destroem a vida." Então, Eduardo resolve mudar de assunto, vendo que ela terminava seu café. “Vamos tentar esquecer um pouco dessas coisas ruins. Que tal darmos uma volta e conhecermos essa cidade?” Yasmin achou excelente a idéia e quase deu um pulo da cadeira em resposta ao convite.
Saíram pela vila, um lugar de casas pequenas e acolhedoras, alguns armazéns, riachos límpidos e árvores majestosas. Nas ruas encontravam pessoas com suas tendas vendendo diversos artigos, frutas e verduras, as crianças brincavam ziguezagueando por entre os aldeões, as galinhas corriam livremente, assim como cães sem dono, os pássaros cantavam suas melodias perfeitas. Yasmin era toda surpresa, não tinha visto coisa igual, o que lembrava era apenas de viver sua vida ao lado da velha feiticeira que chamava carinhosamente de avó, porém para Eduardo, aquele lugar não era nada de outro mundo, ele já havia conhecidos outros vilarejos, mas ficava feliz ao ver o olhar de admiração dela a cada novo detalhe que observavam em seu trajeto.
Eles continuaram andando, quando perceberam, estavam diante de um imenso portão de ferro e do outro lado, um lindo jardim, como um tapete verde com lindos canteiros coloridos. Eduardo abriu o portão dando passagem a Yasmin. Ela sentou-se embaixo de um salgueiro e ele sentou ao seu lado, ficaram em silêncio admirando a beleza do lugar, quando Yasmim quebrou o silêncio: “Nunca imaginei que lugares como este existissem. Tão belo... tão encantador.” – Num impulso Eduardo a repreendeu – “Você não costuma olhar-se muito no espelho, não é?" - ela sorriu timidamente, pegou a mão dele e disse: “Vamos, estou preocupada com o que aquele homem tinha a dizer".

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