
Eduardo caminhava rapidamente quase arrastando Yasmim pela mão. Olhava para trás a fim de verificar se alguém os seguia e para frente medindo a distancia que faltava para sair daquele lugar; sentia claramente algo estranho no ar. E foi assim, neste exato momento que eles foram surpreendidos pela bruxa.
"Acharam mesmo que eu não havia sentido a presença de vocês?" - ela gargalhou - "É uma pena que vocês não possam ver suas expressões. - ela tinha no rosto um sorriso malévolo - É estranho quando a morte está tão próxima não é mesmo?" - e a gargalhada dela era de meter medo até mesmo no mais valente guerreiro, porém, era uma mulher belíssima, pelo visto já havia feito muitos sacrifícios.
EEduardo imediatamente puxou Yasmin para trás no mesmo momento que lançou uma rajada de fogo na mulher a sua frente. Porém como Yasmin já havia alertado, ela era muito poderosa e se não fosse o ótimo reflexo dele, teria se queimado todo, pois a bruxa enviou o mesmo feitiço em versão dobrada.
Quando Eduardo olhou pra trás, Yasmin havia sido atingida, mas não pelo fogo, era outra magia que a bruxa havia disparado, ela estava no chão. Eduardo perdeu-se e também foi acertado pela bruxa. Nessa distração, Yasmin se levantou e foi em direção a sua oponente lançando contra ela todo o poder do vento, arrastando vários objetos que tentavam atingir a bruxa, mas era inútil, ela escapava sorrindo um sorriso tenebroso e por fim levantou sua mão e paralisou Yasmin. Eduardo vendo aquilo se levantou e foi ao ataque novamente, mas com outro gesto ela também o paralisou. Os dois não podiam se mexer. Lentamente, o ser do mal se aproximou de Yasmin, apontando um dedo com uma longa unha que mais parecia uma adaga encurvada, e com sua unha ela tocou o rosto de Yasmin, descendo pelo pescoço até os seios. Ela olhava Eduardo com desdém, enquanto ele tentava se mover, mas sem sucesso. Ela disse: “Eu já fui assim também... tão jovem, tão bonita, mas saiba que isso tudo vai acabar um dia, maguinha. E aí, você irá desejar ter esse corpinho de volta. O que são essas crianças? O sangue delas te fará tão bem, você permanecerá jovem e linda... sem falar numa força maravilhosa. Isso é a vitalidade, meu bem, correndo por todo o seu corpo!”
Eduardo tinha nojo daquela mulher... aquilo não passava de uma bruxa maldita, velha e horrenda, numa fantasia de mulher e estava tocando a sua Yasmin. O seu ódio era tanto que encontrou dentro de si, toda energia que precisava... não era o sangue de crianças que o fortaleceria, era a força do sentimento que ele tinha por Yasmin que o motivava... ela era tudo o que ele possuía e não a perderia assim. Enquanto a bruxa esbanjava seu discurso pobre, Eduardo saiu de seu estado paralisado, e usando de toda sua força e poder adquirido em seu treinamento na escola dos magos, canalizou toda sua energia vital em sua lança e num movimento muito rápido a lançou no coração da bruxa. Yasmin foi libertada. A bruxa esperneava, presa entre a lança e a parede rabiscada com sangue. Ele aproximou-se dela e retirando seu punhal arrancou-lhe a cabeça.
Os moradores de Causville já estavam preocupados com o sumiço dos visitantes, acreditando que eles poderiam ter sido vitimas dos misteriosos desaparecimentos, quando os viu saindo de dentro da floresta. Eduardo trazia consigo a cabeça da bruxa, eles pareciam muito exaustos.
Ao ver o povo vindo ao seu encontro, Eduardo olhou para Yasmim e disse: “Ontem éramos seres perigosos, agora vão dizer que somos heróis.” - largou a cabeça e continou ate uma grande pedra onde poderia se sentar e ouvir toda a ladinha que estava por vir. Yasmim explicou o que havia acontecido ao povo, inocentando assim os magos de HH. Enquanto ela falava, um homem saiu correndo para o meio da floresta. Um dos anciões do vilarejo tomou a palavra: “Causville tem uma dívida com os moradores de Haunted Hill. Seremos eternamente gratos e quando precisarem de nós, não hesitaremos em ir ao vosso socorro. Que todos saibam, a partir de hoje os magos de Haunted Hill sejam nossos amigos e aliados, para sempre sejam lembrados.”
QQuando o velho terminou o seu discurso, o homem que tinha adentrado à floresta apareceu novamente, agora carregando uma criança em seus braços. Ele chorava muito e caiu de joelhos no chão, abraçando o corpo inerte do que um dia fora seu filho. Eduardo ao ver aquela cena se levantou e disse: “De que adianta agora?! Tantas crianças morreram e nós aqui não salvamos nenhuma delas." – havia revolta em sua voz.
Então o ancião olhou para ele e o tocou no ombro dizendo: “Você é jovem ainda, parece que deixa toda energia tomar conta de si. Sim, perdemos muitos, mas sabemos que esse ser do mal não nos trará mais nenhuma desgraça... o nosso povo e o seu povo agora poderão juntos lutar para que seres como esse não habitem nossas terras. Mas agora amigos, vocês precisam descansar. Por favor, sigam essas mulheres, elas os levarão para um local agradável para que descansem e tenham uma noite de heróis, que é o que vocês são para nosso povo.” O velho ancião virou as costa e disse baixinho: “Obrigado novamente, de coração amigos, tenham uma boa noite, pois a missão de vocês está apenas começando, eu posso ver.”

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