terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fome

Quando a noite chegou, Ana foi acordada com a queimação no seu estomago novamente, ela sabia que era a fome. Então abriu a porta de seu quarto tão devagar que ouvidos humanos não ouviriam o ranger da porta, mas ouvidos de um vampiro sim. Ela olhou para um lado e para o outro, não havia sinal de James. “Será que ele saiu ou está escondido em algum lugar desse castelo?” – ela pensou consigo. Percebeu que seu andar era mais macio que de um felino, ela era uma criatura da noite, seus olhos não precisavam de luz alguma, conseguia enxerga em plena escuridão, mas aquela vida nova ainda a assustava, afinal, ela era um monstro agora e seu criador era o seu pior pesadelo. Ela caminhava segurando seu estomago que ardia de forma que parecia incendiar seu corpo inteiro. “Eu preciso comer!”
O castelo era imenso, havia portas para todos os lugares, corredores e escadas... “Onde será que aquele maldito esconde a comida?” – os pensamentos de Ana haviam mudado durante seu sono, não pensava mais em humanos ou uma vida que se ia, agora ela estava no topo da cadeia alimentar e os demais não passavam de apenas alimento. Foi então que se lembrou que seus sentidos deveriam ter mudado também, eles deveriam ser mais aguçados e assim, tentou controlar a dor em seu estomago e ouvir alguma coisa que lhe indicasse onde encontrar sangue. Foi então que ouviu um coração batendo, bem longe, e ela seguiu aquele som, pois no final, encontraria sua comida. “Não ficarei esperando que aquele bastardo me alimente, afinal, sou uma vampira agora, sou forte também.”
O som daquele coração a levou em frente a uma porta, parecia ser a porta de um calabouço, sua fome gritava dentro dela. Quando estava levando a mão à maçaneta, seu pulso foi agarrado por fortes mãos frias como granito. Era James, seu olhar revelava um ódio profundo e sua face de vampiro era bizarra.
“Quando você entenderá que és minha escrava e só comerá quando eu permitir?” – a voz dele era cortante. Ana gaguejou: “Eu estou com fome, mestre. Não suporto a dor.” – ela estava sendo sincera. “Você me obedecerá por bem ou por mal, pois posso deixá-la com fome até sua dor a consumir, o que acha?” Ana tentava se soltar daquela mão, mas viu que era totalmente inútil: “Sim mestre, eu o obedecerei.”
Ele a arrastou até um salão enorme onde a abandonou numa cadeira: “Espere aí, bem quietinha. Seja uma boa vampira.” – Saiu e quando voltou estava com uma ratazana na mão: “Como hoje você me desobedeceu, sua alimentação por hora será esse animal. E não adianta me olhar com esses olhos, pois você terá o que merece, aliás, nem isso você merecia, mas para não dizer que sou cruel.” – jogou o animal no colo de Ana que o agarrou antes que fugisse. Ela estava com nojo, mas sua dor era imensa, cravou seus dentes naquele corpo asqueroso e o sangue tinha um gosto ruim, mas poderia aplacar sua dor por aquele momento.
James sentou-se em outra cadeira, observando a alimentação de Ana. Ele nunca se julgará cruel, mas esse poder correndo por seu corpo dava-lhe a sensação de que poderia fazer o que quisesse com quem quisesse. Na verdade, Ana o atraía, ele desejava a possuir, ela tinha um corpo perfeito, tão jovem e lindo, quanto tempo ele não possuía alguém assim? Mas Ana deveria ceder a ele, como uma boa escrava, ele pretendia domá-la, e se ela se comportasse, ele poderia fazê-la rainha do seu reino da noite, mas por enquanto não compartilharia com ela a história do medalhão, porque enquanto Ana se aventurava pelos corredores do castelo em busca de "comida", ele procurava pelo medalhão de seu antigo mestre porém, sem sucesso, e ele só revelaria a ela esse segredo quando ela o merecesse.
Quando Ana terminou com a última gota de sangue da ratazana, ela o olhava com muita raiva e desprezo. James se levantou e Ana se encolheu na cadeira. “Limpe-se e vamos caçar.” – ele ordenou.

Nenhum comentário: