sábado, 3 de julho de 2010

Um estranho viajante

Yasmin ficou olhando seu amado desaparecer por entre as nuvens do céu e as nuvens de fumaça. Ela queria ter ido junto, lutar ao lado dele, mas precisava ficar e ajudar Diana a colocar em ordem tudo o que os dragões estragaram. Outros magos ficaram para trás também, pois ninguém saberia dizer quando os dragões poderiam voltar.
Foram dias árduos, de muito trabalho. Enterrar os mortos, abrigar aqueles que ficaram sem nada, reconstruir a vila. Mas HH recebeu a solidariedade das vilas vizinhas, inclusive de Causville.
Os dias se passavam e Diana não recebia noticias de Nazari e dos outros, ela estava preocupada: “Não sei mais o que fazer, Yasmin. Talvez seja interessante enviar mais apoio para nossos amigos. Temo pela vida deles.” Yasmin sentia seu coração apertar, sabia que seu destino estava amarrado ao de Eduardo, e que era ao lado dele que ela deveria estar. Ao olhar para o oeste, elas podiam observar a nuvem negra de destruição, o sol se tornará como sangue no horizonte, aqueles eram dias maus.
Na manhã seguinte, Yasmin selou seu cavalo e partiu rumo ao oeste, já havia ajudado o bastante aos moradores da vila, agora iria correr ao encontro de seu destino. Foi fácil encontra o caminho, pois por onde passava o sinal da desgraça e destruição se espalhavam por todos os lados.
Pelo caminho, ela encontrou um homem muito misterioso. Ele estava coberto com um manto marrom e um capuz, tinha um pedaço de pau em uma das mãos que usava como cajado e na outra carregava um saco, arco grande e aljava cheia de flechas nas costas. Yasmin não viu mais ninguém com ele, nem mesmo um cavalo. Ele gritou quando ela passou por ele: “Boa tarde, senhora! Não iria por esse caminho, se é que posso lhe dar este conselho. Dizem que há uma guerra acontecendo por lá.” – Ela segurou as rédeas de seu cavalo, virou-se para o forasteiro e pode ver o rosto do homem, era um rosto todo marcado por profundas cicatrizes: “Então é exatamente para lá que devo ir.”
“Será que posso acompanhá-la, já que estou indo para a mesma direção? Não é bom viajar por estes lados sozinha.” – ele disse. Ela o olhou desconfiada e respondeu: “Meu senhor, vejo que estas sozinho e sem uma montaria. Tenho pressa, agradeço a oferta, mas devo partir o quanto antes.” –Ela nem terminou de falar quando ouviu o homem dar um longo assobio e de dentro da mata saiu um cavalo cinza de longas crinas. “Agora posso acompanhá-la?” – perguntou com um sorriso. Ela deu de ombros e saiu em disparada. O homem logo a alcançou: “A propósito, meu nome é Tannis Orsoba.”
Eles estavam um tanto longe do lugar da batalha e por isso, mesmo sem muito falar, Yasmin ficou sabendo mais sobre aquele viajante. Nas poucas paradas que tiveram, ela observou que o homem possuía mais daquelas cicatrizes, espalhadas também pelos braços e mãos e que levava consigo, pendurado em seu pescoço, um estranho colar, que a deixou intrigada: “Me perdoe, mas não pude deixar de notar o colar que carrega, nunca vi algo semelhante.” Tannis apertou o colar entre os dedos: “Essa é uma longa história... mas ganhei de um amigo, ele já morreu, disse que isso seria meu amuleto da sorte, que me protegeria e até hoje não tem falhado.” Ela olhou para as mãos marcadas do viajante: “É... acredito que sim.” – Ele percebeu o olhar dela, e neste momento, puxou as mangas do casaco e o capuz: “Vamos continuar, agora falta pouco.”
Já estava anoitecendo quando avistaram ao longe as montanhas em fogo, elas mais pareciam com um vulcão em erupção. Mas de repente, os cavalos começaram a relinchar, pisoteando no mesmo lugar, assustados, derrubaram seus cavaleiros e saíram em disparada pela floresta, do lado oposto. Yasmin e Tannis levantaram-se rapidamente e de costas um para o outro fitavam a escuridão à sua frente. “Não estamos sozinhos.” – Tannis sussurrou.
Ouviram quando a coisa pulou de cima de uma árvore. Voltaram-se para onde ouviram o barulho e lá estava, agachado próximo a árvore, um homem com um olhar maligno, em seus lábios, um leve sorriso, a pele era tão branca que parecia brilhar a luz da lua. Devagar, Tannis foi empurrando Yasmin para trás, eles sabiam o que era aquela criatura – um vampiro.
O vampiro dilatou as narinas como se pudesse sentir o cheiro do sangue que corria pelas veias de suas vítimas, ele os olhava fixamente. Yasmin segurou bem firme o cabo de sua adaga ainda na bainha, ela não tinha medo do perigo e estava ficando irritada com a tentativa de Tannis de protegê-la. Foi então que ele disse: “Corre!” – e o vampiro abriu bem a sua boca mostrando suas presas fatais e num piscar de olhos, já agarrava Tannis pela jugular.
Foi tudo muito rápido, no momento que Tannis foi agarrado, ele a empurrou com muita força e ela pode observar a transformação. Diante de seus olhos incrédulos, Tannis se transformou num enorme lycan, abocanhando por sua vez, o pescoço do vampiro.
Yasmin sentiu vontade de vomitar, estava viajando o tempo todo ao lado de seu inimigo. Sabia que teria de matar um ou outro, ou quem sabe os dois. Levantou-se e começou a concentrar suas forças, a batalha seria ferrenha.

Nenhum comentário: