domingo, 4 de julho de 2010

Anjo Caído

Foram longos dias voando na maior velocidade atrás dos dragões, seguindo os rastros de destruição e morte deixando para trás. Mesmo vendo toda aquela cena de destruição, os pensamentos de Eduardo sempre estavam em Yasmin; sempre voltava sua visão para trás esperando vê-la, mas não era possível... será que ela estava lhe esperando? O que estaria fazendo naquele momento? Será que pensava nele assim como ele pensava nela? Já era a saudade, eram os pensamentos de quanto tempo isso iria durar, mas tentava esquecer e focar-se no que estaria por vir.
Por muitas vezes, enfrentaram criaturas que tentavam atrasá-los, mas sempre venciam, pois não passavam apenas de mera distração. No quinto dia de viajem, desceram em um descampado onde encontraram Meriatan reunido com outros guerreiros.
“Que bom ver mais rostos amigos! – Meriatan disse sorrindo - Vejo que trouxeram bastante ajuda, é bom poder contar com os anjos ao nosso lado. Estamos aqui há dias, mas não temos forças suficientes para atacar a toca no inimigo, e eles estão esperando a lua cheia para realizarem o ritual de libertação do rei dos dragões.” Nazari interrompeu: “Agora temos força o bastante, temos que atacá-los, pois amanhã já será noite de lua cheia.”
“É verdade, sábio amigo. - falou Meriatan - Agora somos um exército forte, mas eles são poderosos; três dragões celestiais são capazes de dizimar exércitos inteiros, e além do mais, eles contam com a ajuda de seres da escuridão, demônios que não temem a morte e sem medo da dor, fortes e mortais. Bem, se todos estiverem de acordo, vamos atacá-los ao amanhecer. Se prepararam para batalha!”
Então, ao amanhecer, todos estavam em formação de guerra. Vários guerreiros de diversas terras formavam a linha de frente, ele tremia, mas eram impulsionados pelo discurso de seus reis, e esses guerreiros amavam Meriatan, o julgavam como um ser poderoso que trazia sorte nas batalhas, e ter os anjos como aliança de guerra. Sim, eram homens mortais, porém motivados e valentes.
Os arcanjos, por sua vez, se mantinham calados, como se de luto, mas seriam capazes de qualquer coisa para acabar com esses seres imundos. Já os anjos negros, batiam no peito, flutuavam como se não viessem a hora de derramar o sangue do inimigo, aplaudiam a chance, aplaudiam a permissão para matar.
Podia se ver magos juntos aos guerreiros, ora preparando os seus cajados, ora abençoando suas armas; fazendo suas orações baixinho, e havia os magos montados em seus grifos flutuando junto aos anjos, esperando ansiosos pela batalha.
Em um determinado momento, os guerreiros começaram a ouvir o som de tambores, eram os demônios anunciando que estavam prontos, Meriatan gritou: “Eles vão atacar! Arqueiros prepararem-se!” - Ao longe, via-se uma multidão de seres horrendos correndo, vindo ao ataque. Flechas cobriam o céu, fazendo uma imensa sombra no chão. Quando caíam, as flechas atingiam vários demônios, mas alguns, mesmo feridos, continuavam a avançar, e outros só ouviam as flechas caírem incapazes de vazar suas armaduras.
Os magos avançaram, liberando seus poderes e se ouvia há quilômetros os sons da batalha. De repente, do céu surgiram os dragões e contra eles, os magos em seus grifos e anjos. Diante da grossa pele dos dragões, os anjos e magos pareciam ser inúteis em seus. Três anjos foram em direção a um dragão de vinha cuspindo fogo contra eles, porém, os anjos eram rápidos, conseguindo desviar-se das chamas fazendo com que o dragão se perdesse. Quando o dragão voltou a tê-los em seu campo de visão, foi aprisionado em um encantamento. Fora puxado até o chão e amarrado pelas forças da natureza. O dragão gritava e cuspia fogo, enquanto guerreiros procuravam uma forma de acabar com ele. Os homens viam que o trabalho em equipe estava surtindo efeito e se animavam a cada avanço da batalha.
Do outro lado, um dragão perseguia Eduardo que voava mais rápido desviando-se dos disparos da fera. Ele encontrou uma fenda na montanha por onde o dragão não poderia penetrar e assim entrou nela. Foi neste momento, que avistou Meriatan passando por entre o combate terrestre e correndo com seu cavalo até uma pequena entrada na montanha. Eduardo imaginou que o mago deveria ter descoberto onde Bento estaria escondido. Ele não poderia deixar Meriatan só, precisava ajudar. Então saiu da fenda tentando chegar até a entrada o mais rápido possível, mas não percebeu que o dragão ainda o esperava do lado de fora. Foi então arrancado de seu grifo pelas garras da fera alada.
Eduardo tentava escapar, dando golpes com seu machado nas garras do dragão, sem surtir nenhum efeito. De repente, ele e o dragão estavam caindo rumo ao chão. Antes de atingirem o chão, Eduardo conseguiu se soltar, tentando agarrar-se em uma arvore. Houve um grande estrondo, o pó da terra seca se levantou e quando Eduardo pode observar ao seu redor, Jeliel estava com sua lança cravada na cabeça do dragão, contudo, a lança de dupla ponta também vazava o seu coração. Eduardo correu em direção ao anjo, querendo fazer algo, mas era tarde demais, ali jazia um herói e seu inimigo.

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